'Para Inglês Ver': A britânica que se encantou por Clarice Lispector e sertanejo universitário

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Image caption Malika Shah (à esquerda), com uma amiga, em um ponto de ônibus de Salvador

A britânica Malika Shah é a nova integrante do blog 'Para Inglês Ver', resultado de uma parceria entre a BBC Brasil e o Departamento de Línguas Modernas da Universidade de Oxford.

Ela tem 21 anos e estuda Letras (Espanhol e Português) na Universidade de Oxford. Para aperfeiçoar seu português, como parte do curso, escolheu o Brasil, um lugar 'mágico', segundo ela.

Malika mora em Salvador, onde ensina inglês e espanhol em uma ONG. Antes de escrever seu primeiro blog, que será publicado na semana que vem, conheça Malika:

Clique e entenda o que é o 'Para Inglês Ver'

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Do que mais gosta no Brasil?

De ver as baianas de acarajé no começo do dia sem toda aquela maquiagem e roupa flamejante. É como ver uma celebridade antes do espetáculo!

Do que menos gosta?

Do medo constante de assalto e de violência nas ruas. Já até me aconselharam a não sair de casa à noite. É uma espécie de privação de liberdade.

Local preferido?

Forte da Capoeira em Santo Antônio. Bom para esquecer do barulho e da sujeira da cidade e ouvir os berimbaus tocando.

Expressão ou palavra favorita?

A imprescindível palavra em baianês "Oxe". Ainda não consegui entender todos os significados dela – é um esforço em andamento!

Comida preferida?

Beiju! Qualquer recheio, a qualquer hora do dia.

Tem livro de cabeceira?

Ainda não estudei muito a Literatura brasileira, já que meu contato maior até agora foi com a portuguesa e lusoafricana. Mas gostei muito do pouco que li de Clarice Lispector - como Perto do Coração Selvagem.

Trilha sonora da viagem?

Os ensaios da orquestra de percussão Olodum nas ruas do Pelô. Tenho vergonha de admitir, mas também adoro música brega, apesar de certas letras horrorosas tipo “Vou empurrar, vou empurrar, vou empurrar, vou empurrar cachaça nelas”.

Algo que ainda tenta entender do Brasil?

Respeito muito a atitude positiva do povo brasileiro, apesar dos problemas sociais que enfrentam todos os dias. Não entendo como conseguem manter esta doçura, mas admiro muito este espírito. Em um nível mais mundano, não entendo por que os motoristas no Brasil nunca indicam quando vão virar à direita ou à esquerda. Quase morri várias vezes!