Facebook é criticado por manter no ar vídeo em que bebê é afundado em balde

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Image caption Não é a primeira vez que rede social é criticada por manter vídeo polêmico no ar

A Sociedade Nacional de Proteção de Crianças Contra Crueldade (NSPCC, na sigla em inglês), uma das principais organizações sem fins lucrativos do Reino Unido, pediu que o Facebook e outras redes sociais sejam responsabilizadas pela distribuição de conteúdo "pertubador", depois que o site se recusou a tirar do ar um vídeo em que um bebê é afundado em um balde.

No vídeo, segundo a NSPCC, um bebê "aterrorizado e aos prantos" é submergido repetidas vezes dentro de um balde com água. Não há informações sobre quando ele teria sido feito nem em qual contexto. Uma imagem dele é exibida mais abaixo nesta reportagem.

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O Facebook se recusou a tirá-lo do ar, argumentando que ele não viola suas regras. Diante disso, a NSPCC pediu para o governo britânico intervir no caso.

No clipe de cerca de dois minutos, o bebê é erguido pelos braços e, em outros momento, pelas pernas.

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Segundo Claire Lilley, que chefia a divisão de proteção infantil online da NSPCC, disse que a forma como ele é segurado pode gerar "sérios danos" a seus membros.

'Ioga para bebês'

O vídeo não exibe o rosto da pessoa que segura o bebê. Ela parece estar falando em um idioma asiático, e o tom de sua voz sugere que está brincando com a criança em vez de a punindo;

As imagens têm baixa qualidade, sendo difícil disinguir os traços do rosto do bebê. Isso pode indicar que elas foram filmadas há algum tempo ou, talvez, por meio de uma câmera de um celular simples.

Diante de alegações de que se trata de um exemplo de "ioga para bebês", Lilley, da NSPCC, afirmou: "O que para uma pessoa é ioga para bebês, para outra, em outro contexto, pode ser visto como abuso infantil."

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Ela também acrescentou que o vídeo em questão pode ser facilmente acessado por qualquer pessoa na rede.

A NSPCC exige que o governo crie uma nova organização "com poderes legais de garantir que empresas de internet ajam de forma transparente e sejam responsabilizadas".

No comunicado, é feito um pedido para que o ministro da Cultura, Ed Vaizey, e a ministra de Segurança da Internet, Joanna Shields, avaliem "todas as opções disponíveis" para ter certeza que as pessoas no Reino Unido "não sejam mais expostas a este tipo de conteúdo pertubador e deplorável".

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Image caption Clipe tem imagens de baixa qualidade em que rosto de quem segura bebê não aparece

Alerta

O Facebook reconhece que o vídeo é "desconcertante e perturbador", mas disse que seus usuários ainda poderão assistí-lo.

A rede social disse estar retirando-o do ar quando denúncias dão conta de que a prática exibida nele é encorajada ou apoiada.

Também acrescentou que ele é mantido quando é criticado, para ajudar a conscientizar sobre a questão.

No entanto, nestes casos, o vídeo passaria a aparecer com um alerta de imagens fortes - um sistema introduzido na rede social no fim do ano passado, quando foi pressionada a criar mecanismos do tipo - e só poderia ser acessado por pessoas com mais de 18 anos de idade.

Outra organização britânica, o Instituto de Segurança On-line da Família, também manifestou preocupação sobre o fato do vídeo estar sendo distribuído e exibido automaticamente nas páginas de usuários.

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Image caption Alerta de imagens fortes foi incluído nas versões do vídeo que circulam pelo site

Atenção

O Facebook já havia sido criticado antes pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, por não ter retirado do ar um clipe em que uma mulher aparece sendo decapitada.

Uma porta-voz do governo disse ter recebido a carta da NSPCC e que ela seria respondida no tempo devido.

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Como o novo vídeo foi compartilhado por mais de uma pessoa, não é possível dizer quantas pessoas já o assistiram, segundo a empresa.

O diretor de políticas do Facebook no Reino Unido, Simon Milner, disse à BBC que, em casos como este, ao atrair atenção para uma situação perturbadora, o site pode "ajudar no resgate da criança em questão, como já ocorreu anteriormente".

"Estamos em contato com as autoridades e esperamos que elas possam encontrar esta criança."