Obama autoriza famílias de reféns americanos a pagar resgates

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Image caption James Foley foi decapitado pelo 'Estado Islâmico'; seus pais disseram se sentir desamparados pelo governo americano

A Casa Branca anunciou nesta quarta-feira mudanças na forma como lida com situações envolvendo o sequestro de cidadãos americanos por extremistas e autorizou familiares a pagar o resgate se assim quiserem.

Até então, familiares que tentassem pagar o resgate exigido por militantes no exterior poderiam ser ameaçados de processo judicial pelo governo dos EUA - ações que geraram críticas ao presidente Barack Obama -, ante a política americana de não fazer concessões a grupos considerados terroristas.

"Houve momentos em que nosso governo, apesar das boas intenções, falhou (com as famílias de reféns)", disse Obama, após receber familiares de pessoas sequestradas na Casa Branca. "Prometi a eles que podemos melhorar."

A revisão na política americana visa "não aumentar a dor dos familiares ao sugerir que eles possam enfrentar acusações criminais" caso decidam pagar o resgate, diz o governo.

Mas não haverá mudanças na lei que veta apoio material ou concessões a grupos extremistas, ainda que órgãos de segurança americanos possam ajudar familiares a manter contato com os sequestradores de seus entes queridos, diretamente ou via intermediários.

A Casa Branca mantém o argumento de que o pagamento de resgates financia atividades extremistas - como as do grupo autodenominado "Estado Islâmico" - e pode fazer com que cidadãos americanos sejam mais alvejados por essas organizações.

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Image caption Obama afirmou que governo falhou com familiares de reféns

Em contrapartida, alguns argumentam que a política de não concessões resultou em mortes de americanos no exterior, enquanto reféns europeus foram algumas vezes libertados mediante o pagamento de resgate.

'Frustração'

A mudança - determinada em uma diretiva conhecida como PPD-29 - ocorre após a morte de diversos reféns americanos no último ano.

"Familiares de reféns me contaram suas constantes frustrações ao lidar com seu próprio governo", afirmou Obama, admitindo que departamentos governamentais "nem sempre se coordenam tão bem (entre si) quanto necessário".

Famílias de reféns argumentavam que tinham poucas opções para tentar recuperar entes queridos sequestrados no exterior. E alguns diziam, ainda, que a política de não concessões dava ao governo americano uma desculpa para evitar o contato com os familiares.

"Ninguém prestava contas (a respeito) do Jim", disse Diane Foley, mãe de James Foley, cuja decapitação foi documentada em um vídeo brutal divulgado pelo "Estado Islâmico", em agosto do ano passado.

Há, atualmente, mais de 30 americanos mantidos reféns fora dos EUA, calcula Lisa Monaco, assessora de Obama em temas de segurança e contraterrorismo.

Segundo o governo americano, mais de 80 americanos foram sequestrados por extremistas ou por grupos piratas desde os atentados de 11 de Setembro.