Dilma diz que ela e presidente chinês estão 'tranquilos' sobre queda na bolsa

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Image caption Presidente afirma que China tem recursos para assegurar recuperação do mercado financeiro

Um dia após a forte queda nas bolsas chinesas, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com o presidente chinês Xi Jinping e disse que os dois estão "tranquilos" sobre a situação.

"Achei o presidente bastante tranquilo, não mostrava nenhuma preocupação a esse respeito. Inclusive com clareza a respeito de que o mercado ia recuperar. A China tem suficientes recursos para assegurar isso. E a gente sabe como funcionam mercados financeiros."

A reunião ocorreu durante a 7ª Cúpula dos Brics, na cidade de Ufá, na Rússia.

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Dilma também disse estar tranquila em relação a um possível reflexo do turbilhão das bolsas chinesas no Brasil. A China é um grande parceiro comercial do Brasil e, com isso, havia temor de que o país, que já passa por uma contração econômica, fosse afetado pelas perdas chinesas.

"A bolsa abriu hoje com uma recuperação significativa. Vamos esperar que (a recuperação) seja sistemática e contínua."

A presidente relacionou novamente a piora dos índices econômicos no Brasil a problemas externos e à seca. O FMI revisou as expectativas sobre a economia do Brasil nesta quinta-feira e prevê agora uma contração de 1,5% no PIB neste ano.

"A expectativa é que vamos ter uma recuperação rápida dessa situação generalizada por que passamos", disse Dilma. Ela ainda negou que tenha se desentendido com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como publicado pela imprensa brasileira.

"Quem acredita em jornal?", afirmou, dizendo que os rumores são falsos.

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'Golpismo'

Questionada, a presidente negou que tenha passado por cima das instituições ao dizer, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que não iria cair e que a situação é "moleza".

A oposição acusou Dilma de ter desrespeitado o TCU e o TSE com a declaração.

"Que instituição que você passa por cima quando não há decisão? Não tem como discutir uma decisão que não houve, e não tem como pré-julgar, posto que não se sabe qual vai ser a decisão desta instituição."

Ela afirmou também que nenhum senador da República, "muito menos o senhor Aécio Neves", poderia pré-julgar uma instituição, definindo o que ela vai fazer.

"Respeitar a institucionalidade começa por respeitar as instituições, suas decisões e seu caráter autonômo, soberano e independente. A gente não fica discutindo quem é e quem não é golpista. Quem é golpista mostra na prática as suas tentativas, e começa por isso, pré-julgar uma instituição", disse.

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