Aplicativos estilo Uber 'barateiam' mercado de jatos particulares

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Image caption Clientes poderão economizar até 30% em relação a serviços offline

Na primeira vez que Sergey Petrossov tentou reservar um jatinho particular, em 2009, ele se viu às voltas com inúmeros telefonemas com agentes, envios de faturas e documentos por malote e ainda uma infinita troca de mensagens por e-mails e até fax.

“Pensei: o que está acontecendo? Parecia que eu estava comprando uma ação da Bolsa nos anos 1980”, conta. Então, em março de 2013, Petrossov, que vive em Fort Lauderdale, na Flórida, lançou o JetSmarter, um aplicativo pelo qual é possível reservar diretamente um jatinho particular em vários lugares do planeta.

O setor de táxis aéreos demorou para acompanhar um mundo onde quase tudo pode ser feito com um simples toque de tela. Mas uma leva de start-ups como a Victor, a PrivateFly, a própria JetSmarter e a Ubair (uma brincadeira com o nome do serviço de motoristas Uber, que não é parte do negócio) está mudando a maneira como o mercado funciona, ao criar um espaço online para reservas.

Como resultado, conseguir um jatinho particular hoje é algo mais conveniente e eficiente do que jamais foi. E, apesar de não ser particularmente acessível, esses aplicativos tornaram o serviço mais barato.

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Jatos (e preços) menores

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Image caption Aplicativo Ubair se inspira no nome e no modelo de negócios do Uber

Ao aumentar a oferta de jatos menores e baratos aos passageiros, o preço de entrada já cai.

Na JetSmarter, por exemplo, não-membros podem reservar um voo de Los Angeles para Las Vegas em um avião de três lugares por US$ 3,8 mil – o que significa que três colegas poderiam viajar juntos para uma reunião por cerca de US$ 1,3 mil cada, evitando o estresse dos grandes aeroportos e escolhendo o horário mais conveniente para voar.

O preço ainda é alto, mesmo em comparação com uma passagem de primeira classe em um voo comercial, mas especialistas acreditam que há uma economia de 30% em relação aos antigos voos fretados com agentes ou corretores.

Cada uma dessas empresas tem um modelo de negócios diferente, mas todas permitem que o cliente pesquise os preços de vários tipos de aeronaves de um ponto a outro e aí reservar instantaneamente aquela que se deseja.

É um conceito semelhante ao do Uber.

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Mais poder ao cliente

Adam Twidell, diretor-executivo da PrivateFly, sediada na Grã-Bretanha, foi piloto de uma empresa de táxis aéreos no início dos anos 2000 e notou como os clientes ficavam irritados e frustrados com a maneira como a indústria funcionava – isso porque não sabiam se estavam pagando o preço justo pelo voo.

Ele e a mulher abriram a empresa em 2008, tornando-se uma das primeiras a juntar um mercado fragmentado e colocar a reserva nas mãos do cliente. Hoje a empresa aluga jatos em 19 países, incluindo a China e os Estados Unidos.

Quando alguém busca por uma certa rota com o PrivateFly, o aplicativo analisa milhares de aeronaves e oferece as opções, que podem chegar a centenas. Isso também permite que todo o tipo de fornecedor entre na disputa, o que ajudou a baixar o preço.

“Não fizemos nada que outros setores já não tenham feito, mas ninguém tinha aplicado o conceito na indústria dos táxis aéreos”, afirma. “Ou seja, dar ao cliente o poder de comparar os preços diretamente do fornecedor e tornar o serviço o mais eficiente possível para todos os envolvidos.”

Há cinco anos, quando Twidell estava começando o negócio, muitas das empresas já estabelecidas no ramo lhe disseram que “ninguém iria reservar um jato particular online”. Mas a companhia cresceu 75% nos últimos três anos e chegou a US$ 16,2 milhões de faturamento no último ano.

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Transparência no ar

Clive Jackson, presidente da Victor, outra empresa britânica, fundada em 2011, está convencido de que a transparência é o que conquista a confiança do cliente.

Seus membros podem ver todos os detalhes das aeronaves disponíveis, inclusive o histórico de segurança de sua operadora e a tripulação a bordo. A taxa de 10% que a Victor cobra vem discriminada.

Geoff Perfect, executivo de uma grande empresa de tecnologia, já vinha realizando voos particulares antes de começar a usar a Victor. Ele diz ter ficado “impressionado” com o aplicativo, principalmente por sua usabilidade e integração com outros aplicativos.

“Ele quebra com essas antigas relações fazendo com que todos saiam ganhando”, afirma.

Bom negócio para os donos

Antes de essa nova geração de empresas surgir, as pessoas tinham três maneiras de reservar um jatinho particular. A primeira era através de um corretor, em um processo que durava dias. A segunda era compartilhando a propriedade da aeronave com outros sócios, e a terceira era comprar um cartão pré-pago com alguma operadora e ir usando seu crédito por hora de voo.

A vantagem das novas companhias é a rapidez com que o cliente pode fazer uma reserva e viajar – a PrivateFly detém o recorde de 43 minutos. Além disso, o cliente não precisa fazer nenhum pagamento adiantado.

A Ubair começou a operar em abril e tem a “cara nova de uma empresa antiga”, segundo seu presidente, Justin Sullivan.

Donos de jatinhos podem oferecer seus aviões pelo site, e a empresa opera, gerencia e mantém os aparelhos.

Segundo Sullivam, o proprietário de um jato de oito lugares pode faturar US$ 20 mil por mês pelo Ubair. Ou ele pode optar por voar de 12 a 15 horas por mês de graça.

Conforme os táxis aéreos se tornam mais acessíveis, Sullivan prevê uma clientela mais jovem e com alto poder aquisitivo.

A conveniência, a facilidade e o conforto do serviço atrai muitas pessoas e é possível até que comece a ganhar clientes das classes executiva e primeira das companhias aéreas regulares.

“Queremos criar uma fonte confiável para as pessoas viajarem e evitarem a aviação comercial”, diz Petrossov.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site da BBC Capital.