Exposição em Londres revela evolução das fotos de celebridades

Se hoje não conseguimos ficar imunes às milhares de imagens de celebridades em suas rotinas diárias, no passado esses retratos eram raros e cultuados.

A exposição 'Gods and Monsters' ('Deuses e monstros'), que acaba de estrear na Getty Images Gallery, em Londres, traz à tona imagens íntimas de ícones do cinema em uma época em que eles gozavam de um status quase mítico.

A mostra também pretende mostrar como a fotografia de personalidades mudou ao longo dessas últimas décadas.

A BBC Culture teve acesso a nove dessas imagens raras.

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Image caption Rita Hayworth, por volta de 1944

Para promover seus filmes, os próprios estúdios de Hollywood produziam fotos posadas com suas estrelas.

Mas a intimidade das celebridades despertava grande interesse, o que deu origem a uma moda de retratá-las como se fossem “flagras” – apesar de muitos deles terem sido produzidos. (Foto: Hulton Archive/Getty Images)

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Image caption Joan Crawford, por volta de 1939

Fotógrafos que atuavam nos sets de filmagem, como George Hurrell, usavam uma iluminação dramática para criar o que hoje é visto como um look clássico de uma estrela.

“O elemento mais essencial do meu estilo era trabalhar com as sombras para projetar o rosto, em vez de inundá-lo com luz”, contou o fotógrafo.

Mas outros profissionais preferiam explorar níveis diferentes de exposição. A imagem acima mostra Joan Crawford sem retoques, uma rara oportunidade de ver suas sardas. (Foto: Gene Lester/Getty Images)

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Image caption Clark Gable, Van Heflin, Gary Cooper e James Stewart, 1957

O que parece ser uma série de fotos clicadas ao acaso muitas vezes eram tão planejadas e estudadas quanto os retratos feitos pelos estúdios.

O fotógrafo Slim Aarons era convidado para fotografar os ricos e famosos em festas particulares, conseguindo a chance de clicar as grandes estrelas hollywoodianas de maneira mais casual.

Algumas vezes, no entanto, Aarons deixava os bastidores: esta imagem, chamada 'Reis de Hollywood', teria sido clicada quando os quatro atores riam de uma participação que o fotógrafo fez em um filme. (Foto: Slim Aarons/Getty Images)

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Image caption Brigitte Bardot, 1956

Ensaios publicados em revistas eram fundamentais para cultivar a imagem dos atores como pessoas próximas dos personagens que interpretavam.

Na foto acima, John Chillingworth mostra Brigitte Bardot fumando um cigarro durante um intervalo de filmagem.

O fotógrafo britânico trabalhou na equipe do antigo semanário Picture Post por sete anos e foi elogiado pela maneira como via cada cena como uma narrativa. “Isso provavelmente o diferenciava de vários colegas, que simplesmente captavam o que acontecia em frente a suas lentes”, afirma Matthew Butson, vice-presidente do Hulton Archive. (Foto: John Chillingworth/Picture Post/Getty Images)

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Image caption Marilyn Monroe, 1955

Em 1955, Marilyn Monroe deixou Hollywood, abandonando seu contrato com a Twentieth Century Fox para ir estudar o “Método” com Lee Strasberg, no Actors Studio, em Nova York.

Esta foto foi tirada para a reportagem de capa da revista Redbook, com a chamada “Marilyn Monroe como você nunca viu”. Era uma maneira de ajudá-la a provar que era uma atriz séria.

O editor Robert Stein e o fotografo Ed Feingersh passaram uma semana com a diva, capturando sua rotina. “Em alguns momentos, havia outra Marilyn, repentinamente esgotada, como o ar que sai de um balão. Ela se sentava em um quarto de hotel com um copo na mão... Ele nunca pediu para que ela posasse. E ela mal percebia que ele estava ali”, escreveu Stein. (Foto: Ed Feingersh/Michael Ochs Archives/Getty Images)

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Image caption Marilyn Monroe, por volta de 1953

Segundo os curadores da exposição, “em contraste com as fotos divulgadas pelos estúdios, um novo tipo de fotógrafo passou a ser exigido – para tirar um novo tipo de fotografia”.

Com a ascensão dos paparazzi, as celebridades perderam o controle sobre suas imagens. Mas “como tudo na fotografia, essa verdade aparente se tornou apenas uma versão da verdade. Tanto os fotógrafos quanto as celebridades formaram uma espécie de pacto – elas queriam a exposição; eles, a imagem mais cobiçada”. (Foto: M Garrett/Murray Garrett/Getty Images)

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Image caption Mick e Bianca Jagger, 1971

Com o tempo, a imprensa marrom começou a se tornar cada vez mais intrusiva e a documentar outros tipos de celebridades.

Segundo os organizadores da mostra em Londres, “músicos, boêmios e artistas dos anos 1960 formavam uma nova aristocracia rock’n’roll, elevada ao mesmo status que as estrelas de Hollywood costumavam ter antes”. (Foto: Reg Lancaster/Daily Express/Hulton Archive/Getty Images)

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Image caption Cassius Clay (posteriormente Muhammad Ali), 1963

A fotografia de celebridades começou como uma espécie de “cartão de visitas”, que foi patenteado em 1854, em substituição a miniaturas feitas à tinta.

Nos anos 1960, a formalidade já tinha desaparecido.

Aqui, o boxeador americano Cassius Clay é visto em sua cama de hotel em Londres, mostrando os cinco dedos como uma previsão de quantos rounds ele precisaria para nocautear o britânico Henry Cooper. (Foto: Len Trievnor/Express/Getty Images)

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Image caption Tina Turner, 1969

Apesar de esta imagem ser um retrato realizado em um estúdio de fotografia, ela está a anos-luz do clássico jogo de sombras dos retratos antigos de Hollywood.

Para os curadores, “as estrelas do rock representaram uma nova casta de celebridades – acessíveis, intimistas e com alguns defeitos, e isso se refletiu na estética brincalhona dos retratos da época”.

Aqui a cantora Tina Turner posou para o fotógrafo americano Jack Robinson.

“A editora da Vogue, Diana Vreeland, foi uma das patrocinadoras de Robinson, por admirar seu estilo de retrato resoluto e sem pudores”, afirma a curadoria da mostra. (Foto: Jack Robinson/Hulton Archive/Getty Images)

Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Culture.