Ferguson faz silêncio no aniversário da morte de jovem negro

Multidão no 1º aniversário da morte de Michael Brown (Foto: Sid Hastings/EPA) Direito de imagem Sid Hastings l EPA
Image caption Pai do jovem (de barba), agradeceu aos que não deixaram morte ser "varrida para debaixo do tapete"

Centenas de pessoas fizeram um momento de silêncio em Ferguson, subúrbio de St. Louis, no Missouri, em memória do jovem Michael Brown, cuja morte completa um ano.

Desarmado, Brown foi morto a tiros, aos 18 anos, pelo policial branco Darren Wilson, dando início a uma série de manifestações em todo o país e combustível para um movimento nacional contra a discriminação racial por parte da polícia.

O silêncio durou quatro minutos e meio, em referência ao número de horas em que o corpo do jovem ficou estirado na rua.

Ativistas e religiosos de todo o país desembarcaram em Ferguson no fim de semana.

Osagyefo Sekou, reverendo da cidade, afirmou à BBC que os eventos ocorridos no ano passado resultaram em algumas mudanças positivas na comunidade negra, mas não na sociedade como um todo.

“Nós não temos visto a mudança no sistema que é necessária, com a qual não haveria todo dia nos Estados Unidos uma mãe escrevendo uma elegia (texto lamentando a morte) de seu filho, que na verdade deveria ser a elegia da nação”, afirmou.

Direito de imagem Kena Betancur l AFP l Getty
Image caption No Brooklyn, em Nova York, pessoas se deitaram no chão por quatro minutos e meio

Duas pombas brancas foram soltas no lugar onde Michael Brown foi atingido em 9 de agosto do ano passado.

Após o momento de silêncio, o pai de Brown agradeceu aos apoiadores por não permitirem que a morte de seu filho fosse "varrida para debaixo do tapete".

A multidão marchou, em silêncio, para uma igreja local. Atos foram realizados ainda em outras cidades, como Nova York, onde manifestantes se deitaram no chão, também por quatro minutos e meio.

Protestos

Após a morte de Brown, Ferguson foi palco de protestos por semanas, parte deles envolvendo confrontos entre manifestantes e policiais.

O movimento ganhou nova força em novembro, quando um júri decidiu não indiciar o policial que fez os disparos.

Wilson, que argumentou ter agido em legítima defesa, pediu demissão da polícia no mesmo mês.

Em março, uma investigação do Departamento de Justiça encontrou evidências da existência uma cultura generalizada de discriminação racial na polícia de Ferguson.

O relatório levou a uma série de pedidos de demissão na cúpula do órgão, incluindo do chefe da polícia.

O movimento “Black Lives Matter” (vidas de negros são importantes), que emergiu durante a onda de protestos após a morte de Brown, tem concentrado seu trabalho no complicado relacionamento entre as comunidades negras e as forças policiais em vários Estados americanos.

Direito de imagem Michael B.Thomas l AFP l Getty
Image caption Após júri decidir não indiciar policial que atirou em Michael Brown, protestos voltaram a ganhar força

Nova morte

Na última sexta, outro jovem negro desarmado foi morto por policiais nos Estados Unidos.

O jogador de futebol americano universitário Christian Taylor, de 19 anos, foi alvejado após policiais serem chamados por causa de um possível roubo a uma concessionária de carros em Arlington, no Texas.

O policial que efetuou os disparos, Brad Miller, nunca havia atirado durante uma ação policial. Ele foi posto em licença administrativa.

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