Deportações e troca de acusações aumentam tensão entre Venezuela e Colômbia

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Image caption As autoridades venezuelanas fecharam a fronteira com a Colômbia por tempo indeterminado

A Colômbia criticou a Venezuela pelo fechamento da fronteira com o país e a deportação de cidadãos colombianos.

A decisão foi tomada por Caracas na semana passada depois de um ataque de contrabandistas colombianos ter deixado três soldados e um civil feridos.

Desde então, cerca de mil colombianos vivendo na Venezuela foram expulsos como parte de uma ação do governo contra o contrabando e a atividade de quadrilhas na região.

ONGs venezuelanas entretanto denunciaram que alguns dos deportados tiveram seus direitos humanos violados.

O contrabando de combustível e produtos básicos tornou a região de fronteira um foco constante de tensão social nos últimos anos. Muitos colombianos supostamente compram os produtos a preços altamente subsidiados na Venezuela para revendê-los na Colômbia.

O governo venezuelano responsabiliza a incursão de paramilitares colombianos pela situação, mas a oposição culpa o governo de Nicolás Maduro pelo que chama de desastre social e econômico no país.

Leia mais: Escassez faz criminosos trocarem tráfico de drogas pelo de alimentos na Venezuela

A principal coalizão opositora venezuelana, a Mesa da Unidade Democrática, disse que as medidas na fronteira visam justificar uma eventual "suspensão das eleições parlamentares" marcadas para 6 de dezembro.

O governo tem sofrido duras quedas nas pesquisas de opinião por causa da grave crise no país, afetado pela inflação galopante e pela escassez de produtos.

Representantes das duas nações discutirão o assunto na quarta-feira. Mas o clima é de tensão, e na segunda-feira o ministro colombiano do Interior, Juan Fernando Cristo, disse que a Venezuela causou uma "tragédia humanitária".

Maduro inicialmente disse que a fronteira ficaria fechada por 72 horas, mas o prazo foi estendido indefinidamente.

Maduro também declarou estado de emergência em cinco municípios de fronteira, enviando 1.500 soldados à região.

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