Grécia: urnas voltam a apoiar governo de esquerda

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Image caption Popularidade de Tsipras caiu após a assinatura do acordo que impõe novas medidas de austeridade à Grécia

Os gregos voltaram a apoiar, nas urnas, o partido de esquerda Syriza – que havia perdido a maioria parlamentar em agosto, após o aceitar um terceiro pacote de resgate para o país, com duras medidas de austeridade.

O ex-premiê Alexis Tsipras, que renunciou ao posto de primeiro-ministro no mês passado e convocou novas eleições, disse que o resultado é uma "vitória do povo". É a terceira votação no país apenas neste ano, e a quinta eleição geral desde 2009.

Tsipras disse ainda que os gregos têm um caminho difícil pela frente, e que a recuperação da crise financeira só virá com trabalho duro.

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Horas antes, o partido conservador Nova Democracia admitiu a derrota.

Com cerca de 60% dos votos contados, o Syriza terá algumas cadeiras menos do que o necessário para ter a maioria. No entanto, o partido nacionalista Gregos Independentes concordou em formar uma coalizão.

A votação, no entanto, aconteceu em clima de decepção e apatia. Cerca de 55% dos gregos foram às urnas – índice menor do que os 63% das eleições de janeiro e considerado baixo para os padrões gregos.

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A instabilidade continuará?

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Image caption Analistas e jornalistas apontam que há desilusão e apatia generalizadas na Grécia

O líder do partido Nova Democracia, Vangelis Meimarakis, cumprimentou Tsipras pela vitória, mas exigiu que o partido "crie o governo que o país precisa".

Tsipras, por sua vez, foi recebido na sede de seu partido com abraços e cumprimentos.

A recontagem, até agora, dá 145 cadeiras ao Syriza, das 300 totais do Parlamento. O partido Gregos Independentes teria mais 10, o que daria a maioria à coalizão. O Nova Democracia ficaria com 75.

De acordo com o correspondente da BBC em Atenas, Richard Galpin, isso poderia significar outro período de instabilidade política em um momento no qual se aproximam os prazos para a implementação de importantes reformas financeiras.

Tsipras assinou o acordo de resgate com os credores da Grécia pouco depois de um referendo em que mais de 60% dos eleitores rejeitou as medidas de austeridade previstas na proposta.

Em entrevistas anteriores, ele justificou a decisão dizendo que teve que pôr o país diante de seu partido e que, se não tivesse aceitado o plano de resgate de três anos, a Grécia seria forçada a sair da zona do euro.

O programa de resgate ferece 86 bilhões de euros (US$ 94 bilhões) em cinco anos em troca da aplicação de fortes cortes de gastos, altas de impostos e reformas econômicas.