Veja lista de vencedores do Nobel da Paz dos últimos 25 anos

O Nobel da Paz de 2015 foi para um grupo da Tunísia relativamente pouco conhecido no cenário global, mas que teve seus esforços pela transição democrática no país 'berço' da Primavera Árabe reconhecidos.

A revolução na Tunísia, em 2010, levou à queda do governo e a um processo de transição democrática que contou com atuação, a partir de 2013, do Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia. O grupo premiado é formado por quatro organizações: um sindicato de trabalhadores (a Central Geral Tunisiana do Trabalho), um sindicato patronal (a Central Tunisiana da Indústria e do Comércio), a Ordem dos Advogados da Tunísia e a Liga Tunisiana de Direitos Humanos.

"Quando o processo democrático estava em risco de entrar em colapso como resultado de assassinatos políticos e rebelião civil generalizada, ele (o quarteto) estabeleceu como alternativa um processo político pacífico. Era um momento em que o país estava à beira de uma guerra civil, disse Kaci Kullmann Five, presidente do comitê do Nobel. A experiência relativamente bem-sucedida do país culminou com eleições democráticas em 2014.

Os primeiros ganhadores do prêmio, em 1901, foram o suíço Jean Henry Dunant e o francês Frédéric Passy. Dunant foi o fundador do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Passy fundou a Sociedade Francesa de Arbitragem entre as Nações.

O Nobel da Paz é um dos prêmios criados pelo inventor da dinamite, o sueco Alfred Nobel. Desde então, já foi concedido 97 vezes para indivíduos e organizações.

Veja abaixo a lista de agraciados com o prêmio nos últimos 25 anos.

2015

Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia

Pela "contribuição decisiva para democracia plural" após Primavera Árabe de 2011.

Direito de imagem AFP

2014

Kailash Satyarthi, Índia, e Malala Yousafzai, Paquistão

Ativista pelo direito das crianças e adolescente baleada pelo Tabelã por lutar por Educação tiveram seus esforços reconhecidos pelo Nobel.

Direito de imagem Reuters

2013

Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq)

Opaq atuava no desmantelamento do arsenal sírio quando recebeu o prêmio.

2012

União Europeia

"Em reconhecimento por sua contribuição para a paz e a reconciliação, a democracia e os direitos humanos na Europa".

2011

Ellen Johnson Sirleaf, Libéria, Leymah Gbowee, Libéria, e Tawakkol Karman, do Iêmen.

Prêmio foi dividido entre três mulheres que lutaram por igualdade de direitos.

2010 Liu Xiaobo "Por sua longa luta sem violência pelos direitos humanos fundamentais na China."

Direito de imagem AFP

2009 Barack H. Obama, presidente dos Estados Unidos "Por esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e cooperação entre os povos."

2008 Martti Ahtisaari, ex-presidente da Finlândia, que esteve envolvido em várias negociações de conflitos como os de Kosovo e do Iraque. "Por importantes esforços na solução de conflitos em vários continentes, ao longo de três décadas."

2007 Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) e Albert Arnold (Al) Gore Jr, ex-vice-presidente americano e ativista em defesa do meio ambiente. "Por seus esforços para aumentar e disseminar mais conhecimentos a respeito da mudança climática gerada pelo homem, e abrir caminho para medidas necessárias para conter estas mudanças."

2006 Muhammad Yunus, criador do banco de Microcrédito Banco Grameen, em Bangladesh "Pelos esforços para criar desenvolvimento econômico e social vindos de baixo. Paz duradouras não pode ser alcançada a não ser que grandes grupos da população encontrem formas de sair da pobreza. O microcrédito é um meio para alcançar isto. O desenvolvimento vindo de baixo também serve para o progresso da democracia e dos direitos humanos."

2005 Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, ex-diretor da agência da ONU "Por seus esforços para evitar que a energia nuclear seja usada para fins militares e garantir que a energia nuclear para fins pacíficos seja usada da maneira mais segura possível."

2004 Wangari Muta Maathai, ativista humanitária do Quênia "Por sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, democracia e paz".

2003 Shirin Ebadi, militante iraniana pelos direitos humanos. "Por seus esforços pela democracia e direitos humanos. Ela se concentrou principalmente na luta pelos direitos das mulheres e crianças".

2002 Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos "Por décadas de seus esforços incansáveis para encontrar soluções pacíficas para conflitos internacionais, para o progresso da democracia e direitos humanos e para promover o desenvolvimento econômico e social".

2001 Organização das Nações Unidas (ONU) e Kofi Annan, ex-secretário-geral da organização "Por seu trabalho para um mundo mais organizado e pacífico".

2000 Kim Dae-jung, ex-presidente da Coreia do Sul "Por seu trabalho pela democracia e direitos humanos na Coreia do Sul e no leste da Ásia em geral, e pelos esforços pela paz e reconciliação com a Coreia do Norte em particular."

1999 Organização Médicos Sem Fronteiras (Médecins Sans Frontières) "Em reconhecimento pelo trabalho humanitário pioneiro em vários continentes".

1998 John Hume, líder do partido nacionalista da Irlanda do Norte, o Partido Social Democrata e Trabalhista, e David Trimble, líder do Partido Unionista. "Por seus esforços para encontrar uma solução pacífica para o conflito na Irlanda do Norte".

1997 Jody Williams, ativista, e para a Campanha Internacional pela Proibição de Minas Terrestres "Por seu trabalho pela proibição e retirada das minas terrestres".

1996 Bispo Carlos Filipe Ximenes Belo, líder da maioria católica timorense e José Ramos-Horta, presidente do Timor Leste "Por seu trabalho para uma solução pacífica e conjunta para o conflito no Timor Leste".

1995 Joseph Rotblat, cientista e ativista contra armas nucleares, e a organização Pugwash Conferences on Science and World Affairs "Por seus esforços para diminuir o papel das armas nuclear na política internacional e, no logo prazo, para eliminar estas armas".

1994 Yasser Arafat, líder palestino, Shimon Peres, Yitzhak Rabin, líderes israelenses "Pelos esforços para criar a paz no Oriente Médio".

1993 Nelson Mandela e Frederik Willem de Klerk, ex-presidentes da África do Sul "Pelo trabalho pelo fim pacífico do regime do apartheid e por abrir caminho para uma África do Sul nova e democrática".

1992 Rigoberta Menchú Tum, ativista guatemalteca pelos direitos indígenas "Em reconhecimento por seu trabalho por justiça social e reconciliação étnica e cultural no que diz respeito aos povos indígenas".

1991 Aung San Suu Kyi, líder pró-democracia de Mianmar "Por sua luta sem violência pela democracia e direitos humanos".

1990 Mikhail Sergeyevich Gorbachev, ex-líder soviético "Por seu papel de liderança no processo de paz que hoje caracteriza partes importantes da comunidade internacional".