Os lugares do mundo onde a natureza é mais colorida

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Image caption Estudo avaliou 1.333 espécies da fauna e da flora de todo o leste da Austrália

Para onde devemos ir se quisermos admirar e absorver as cores mais vibrantes e exuberantes da natureza?

A primeira ideia que vem à cabeça é embarcar para os trópicos. Desde o início do século 19, exploradores descrevem com lirismo as cores deslumbrantes da vida selvagem tropical – de papagaios e borboletas a orquídeas e aves-do-paraíso.

Os seres tropicais desfilam uma miríade de azuis, vermelhos, verdes e laranjas, entre tantos outros tons. "Uma extrema riqueza de cores", definiu o naturalista Alfred Russel Wallace em 1878.

Mas talvez estejamos muito enganados. Um estudo recente da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, contraria a crença popular ao concluir que a natureza dos climas temperados é mais colorida do que a dos trópicos.

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Variedade, intensidade e contraste

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Image caption Animais tropicais nem sempre têm cores tão contrastantes quanto os de climas frios, segundo estudo

Na pesquisa, publicada na revista Global Ecology and Biogeography, a ecologista Rhiannon Dalrymple comparou as cores de diferentes grupos de fauna e flora, compilando uma lista de 1.333 espécies de aves, borboletas e flores ao longo da costa leste australiana. As amostras vieram de uma área que cobre 34,5 graus de latitude e inclui florestas tropicais, bosques temperados e matagais (caracterizados por arbustos e vegetação menos densa).

Estudos anteriores examinaram apenas uma margem estreita de seres vivos e observaram apenas as cores que podem ser vistas por seres humanos.

Já Dalrymple e sua equipe registraram as cores de todas as espécies estudadas sob a luz natural e sob a luz ultravioleta. Depois, verificaram se as cores eram mais intensas, mais contrastantes e ainda se apresentavam uma ampla gama de variedade de tons.

Os cientistas descobriram que a coloração quase não mudava entre os seres vivos típicos do norte da Austrália, tropical, e do sul, de clima temperado.

Mas encontraram indícios de que as espécies originárias da zona temperada, longe dos trópicos, exibiam mais cores – e suas cores eram mais intensas e tinham contrastes mais definidos.

"Colocamos de cabeça para baixo a percepção geral sobre o assunto", afirma Dalrymple.

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Visão tendenciosa

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Image caption Outra pesquisa desafia análise australiana ao não ter notado diferenças entre espécies de borboletas

Mas nem todo o mundo está convencido. Jonathan Adams, professor de biologia da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, critica o fato de o estudo de Dalrymple se limitar à análise de espécies do leste da Austrália. "É um salto grande mais assumir que esses padrões podem ser aplicados no resto do mundo", afirma.

Em uma pesquisa publicada em 2014 na revista Ecological Research, Adams examinou 247 espécies de borboletas e descobriu que aquelas que viviam nas áreas tropicais do Equador eram mais coloridas do que aquelas das regiões subtropicais da Flórida e as da zona temperada do Estado americano do Maine.

O biólogo argumenta que seu estudo cobriu tanto os biomas úmidos e quentes dos trópicos quanto os climas mais severos da região temperada, enquanto a análise australiana se limitou a uma diferença mais estreita entre os ambientes.

Tanto Dalrymple quanto Adams tiveram que recorrer ao acervo de museus de história natural para encontrar espécimes suficientes para seus estudos, mas levaram em conta o fato de essas coleções normalmente apresentarem organismos mais coloridos – já que as espécies mais exuberantes atraíam mais a atenção dos exploradores.

"Essa tendência dos naturalistas europeus podem ter afetado a maneira como hoje percebemos as cores da vida tropical", explica Dalrymple.

Já Adams diz que prefere manter "a mente aberta" em relação ao local do mundo onde as cores são mais vibrantes e variadas.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Earth.

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