'Peixes-robôs' substituem mergulhadores em obra na Itália

Pesquisador com "peixe-robô" na Itália (Foto: Divulgação/Enea) Direito de imagem Enea
Image caption Pequenos submarinos serão usados em obra que promete acabar com inundações em Veneza

Pesquisadores italianos vão liberar no mar um "cardume" de "peixes-robôs" criados para estudar o ambiente marinho e informar, em tempo real, as condições de estruturas subaquáticas.

A tecnologia foi apresentada na Expo Veneza, que termina nesta quinta-feira, e já tem um desafio real em vista: ajudar na manutenção da infraestrutura submersa, composta por barreiras metálicas e caixas de concreto, que irá compor o MOSE, uma megaobra que promete acabar com as frequentes inundações na cidade italiana a partir de 2017.

A ideia é que esses pequenos submarinos sejam usados para vários propósitos, como na inspeção de plataformas e tubulações, em pesquisas de arqueologia subaquática e na vigilância de portos e bases navais.

Seus criadores vêm ainda a possibilidade de atuação em estudos sobre o comportamento de espécies marinhas, aumentando a eficiência da indústria pesqueira.

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Chamado de Venus Swarm, o programa robótico foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores do Enea (sigla em italiano da agência nacional para novas tecnologias, energia e desenvolvimento econômico sustentável) e da Universidade de Roma Tor Vergata.

No caso da obra em Veneza, por exemplo, os peixes-robôs atuarão no lugar de mergulhadores.

"O nosso AUV (veículo subaquático autônomo, na sigla em inglês) substitui o homem até onde é possível trabalhar sem o uso das mãos", afirmou à BBC Brasil Claudio Moriconi, diretor do laboratório de robótica de Enea.

Segundo ele, a equipe agora trabalha para dobrar a velocidade dos robôs para que, já na atuação no MOSE, eles trafeguem a 7,5 quilômetros por hora.

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Image caption Tecnologia irá substituir mergulhadores no monitoramento de estruturas subaquáticas

Som e luz

Cada peixe-robô tem corpo cilíndrico em alumínio, 1,5 metro de comprimento, 18 centímetros de diâmetro e pesa 40 quilos. Em vez de barbatanas e nadadeiras, paletas e uma hélice. E, no lugar de olhos, duas câmeras de alta definição.

Há ainda vários sensores acústicos, um modem de altíssima frequência e um radar. Cada aparelho possui uma bateria que dura até oito horas.

Uma frota pode ser composta por dezenas de robôs, cada um navegando a poucos metros do outro – a maioria dos projetos similares, afirma Moriconi, prevê distâncias variando entre dezenas e centenas de metros.

Ele explica que a opção pela proximidade visa uma varredura mais ampla e eficiente, aplicando o "conceito de inteligência de grupo", ou seja, fazendo os pequenos submarinos atuarem em conjunto nas tarefas.

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Image caption Projeto prevê que "peixes-robôs" atuem em conjunto e se comuniquem via rede wireless

Por isso, parte do desenvolvimento do projeto envolveu aprimorar o relacionamento entre eles, como a distância a ser mantida e a interação nas mudanças de direção, por exemplo.

Conectados por um sistema wireless, os robôs se comunicam por meio de sons e de luzes. As informações recolhidas são armazenadas em cada aparelho e enviadas por ondas de rádio à superfície, de onde eles são comandados. O plano é que isso ocorra via satélite no futuro.

Por causa da variação do grau de visibilidade no mar, os sistemas ótico e acústico trabalham em sinergia, se compensando. Quanto mais clara a água for, mais informações visuais serão processadas – no caso de ambientes mais turvos, o áudio assume a dianteira.

Custo e futuro

Os desenvolvedores apontam o baixo custo como uma das maiores vantagens do sistema: cada unidade custa menos de 10 mil euros, contra até mais de 1 milhão de euros de outros tipos de robôs subaquáticos.

"Para nós, é melhor usar uma frota com vários deles do que investir em apenas um só", afirma Moriconi.

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Image caption Grupo italiano agora atua no aprimoramento da transmissão de dados submarinos

O programa Venus Swarm trabalha ainda na criação de um "corredor digital submarino" que, com uso de um modem avançado, será capaz de explorar ao máximo essa sinergia entre os sistemas ótico e acústico dos peixes-robôs para operar em distâncias maiores.

Fachos luminosos, similares a relâmpagos, potencializariam o envio dos dados.

"A luz do sol penetra apenas poucos metros abaixo da superfície. Depois dos 15, 20 metros, a visibilidade cai muito", explica Moriconi, lembrando que os peixes-robôs podem navegar a até 150 metros abaixo do nível do mar.

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