Morte de jovem que tirava selfie em trilhos rende multa à família por atrasos nos trens

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Image caption 'Essa gente não deve ter filhos para ser capaz de fazer uma coisa dessas', disse a mãe da menina

A companhia belga de transportes ferroviários (SNCB) está cobrando 19 mil euros (R$ 84,9 mil) da família de uma jovem de 12 anos que faleceu ao ser atingida por um trem a 150km/h enquanto fazia selfies em uma área proibida perto dos trilhos.

Charlotte Nuñez morreu em julho de 2014 na estação de Groenendaal, a cerca de 15 quilômetros de Bruxelas. O caso ganhou as páginas dos jornais locais nesta semana, depois do deputado socialista David Geerts criticar a atitude da SNBC no Parlamento.

Segundo a mãe, Carla Claeys, a companhia só entrou em contato com a família em novembro, por meio de uma carta na qual apresentava seus pêsames e explicava que, de acordo com a lei, os pais seriam responsabilizados pelos danos causados pelo acidente provocado pela filha, por ela ser menor de idade.

Em agosto, a família recebeu uma segunda carta, com uma fatura detalhada dos desgastes relacionados, entre eles o custo da evacuação de 200 passageiros e da suspensão do tráfego ferroviário por cerca de seis horas e meia.

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'Duro golpe'

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Image caption Menina foi morte enquanto tirava selfie em local proibido perto do trilho

Os pais de Charlotte não terão que pagar diretamente o valor, já que dispõem de um seguro familiar que cobre danos a terceiros, mas criticaram a falta de sensibilidade da SNCB.

"Quando você recebe uma carta como essa, listando os desgastes causados pela morte de sua filha, é um duro golpe. Essa gente não deve ter filhos para ser capaz de fazer uma coisa dessas", disse Claeys a um jornal local.

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O deputado Geerts pediu ao Parlamento uma mudança na lei que obriga a SNCB a comunicar a fatura dos gastos cobrados às companhias de seguro às famílias de vítimas de acidentes mortais.

"Como se pode ignorar o impacto emocional de uma carta desse tipo? Em vez de enviar uma fatura dos desgastes, teria sido melhor mostrar empatia", defendeu.

A companhia ferroviária não quis comentar o caso, alegando que atua de acordo com a lei.