Ataques foram deflagrados em apenas 33 minutos; veja linha do tempo

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Image caption Segundo promotor, três grupos coordenados participaram dos atentados

Os ataques ocorridos em Paris na sexta-feira, que começaram com a explosão da bomba do lado de fora do estádio Stade de France e culminaram com a invasão da casa de shows Bataclan, foram deflagrados em um intervalo de apenas 33 minutos, entre as 21h20 (horário de Paris) e 21h53.

A ação mais prolongada teve como alvo a casa de espetáculos, que tinha vendido todos os 1,5 mil ingressos para o show da banda californiana Eagles of Death Metal. Desde a invasão pelo grupo até a chegada da polícia, foram cerca de duas horas de terror.

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Segundo o promotor François Molins, três grupos coordenados aparentemente atuaram nos ataques. Veja como os fatos se sucederam:

21h20 - Stade de France

Image caption O Stade de France tem capacidade para 81 mil pessoas

A primeira das três explosões ocorreu do lado de fora do estádio, que fica localizado no norte de Paris, onde as seleções de futebol de França e Alemanha jogavam um amistoso.

Um homem usando um cinto com explosivos teria sido impedido de entrar no estádio após uma revista de rotina detectar os explosivos. De acordo com o jornal The Wall Street Journal, ele se afastou dos seguranças e detonou os explosivos. O homem-bomba e uma pessoa que estava perto morreram.

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Image caption Depois da partida, torcedores ficaram no gramado; seleções não deixaram o estádio

Após um segundo homem-bomba detonar em outra entrada do estádio os explosivos que vestia, às 21h30, o presidente François Hollande, presente no local, foi retirado às pressas. A partida estava sendo transmitida pela TV.

21h25 - Rua Alibert

Image caption Série de ataques atingiu bares e restaurantes de área boêmia de Paris

Le Carillon: Enquanto isso, outros ataques ocorriam próximo ao centro da cidade, em pontos badalados da vida noturna parisiense. O primeiro ocorreu às 21h25 no 10º distrito, não muito longe da Praça de la Republique. Segundo o promotor, testemunhas acreditam que o atirador chegou ao local em um carro preto da marca Seat.

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Pessoas que estavam no bar Le Carillon, no número 18 da via, afirmaram ter pensado que ouviam bombinhas antes de perceber que, na verdade, estavam sendo alvejadas por rifles semiautomáticos.

"As pessoas caíram no chão. Nós colocamos uma mesa sobre nossas cabeças para nos protegermos", afirmou Ben Grant, que estava com sua esposa na parte de trás do bar.

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Image caption Bar Le Carillon foi o primeiro alvo dos atiradores na região central de Paris

Le Petit Cambodge: Testemunhas afirmam que um homem atravessou a rua e apontou sua arma para o restaurante Le Petit Cambodge.

No total, 15 pessoas morreram nos ataques ao bar e ao restaurante, e outras 15 ficaram gravemente feridas. Mais de cem disparos foram feitos nesses locais.

21h32 - Rua de la Fontaine au Roi

Vieram, então, os ataques ocorridos em uma via ao sul da rua Alibert. Cinco pessoas foram mortas e oito ficaram gravemente feridas ao serem atingidas em frente ao Café Bonne Biere e à pizzaria La Casa Nostra, na rua de la Fontaine au Roi.

Assim como no Le Carillon, testemunhas viram o atirador usar um veículo preto da marca Seat.

21h36 - Rua de Charonne

Image caption Bar atacado na rua de Charonne fica ao sul do local do primeiro ataque na região

Os próximos relatos de tiros vieram do bar La Belle Equipe, na rua de Charone, no 11º distrito, a sul do primeiro restaurante atacado. Testemunhas também afirmam ter visto os atiradores chegando em um Seat preto. Dois homens abriram fogo no terraço do café.

"Durou ao menos três minutos", afirmou uma testemunha. "Eles entraram depois no carro e seguiram em direção à estação Charonne."

Esse ataque matou 19 pessoas, e outras nove ficaram em estado grave.

21h40 - Boulevard Voltaire

Segundo o promotor, alguns minutos depois, um homem se matou detonando uma bomba no restaurante Le Comptoir Voltaire, localizado na Boulevard Voltaire. Uma outra pessoa ficou gravemente ferida.

21h40 a 0h20 - Bataclan

Image caption Atiradores mataram 89 pessoas na Bataclan, tradicional casa de shows parisiense

O ataque que matou mais pessoas foi realizado na casa de shows Bataclan, também na Boulevard Voltaire. O público aguardava o show da banda de rock californiana Eagles of Death Metal. A casa estava lotada.

O promotor-chefe de Paris afirmou que três atiradores usando cintos com explosivos atuaram no ataque – relatos anteriores apontavam quatro. Testemunhas afirmaram que eles chegaram em um Volkswagen Polo preto e invadiram a entrada principal, em direção aos fundos do espaço.

Os homens dispararam contra a multidão usando files do tipo Kalashnikov, matando 89 pessoas. Ao menos outras 99 foram hospitalizadas em estado crítico.

Segundo relatos, um dos atiradores gritou "Deus é grande" em árabe. Uma testemunha ouviu um deles culpar o presidente Hollande pela intervenção na Síria. Essa foi a primeira evidência clara de que Paris estava sob ataque de islamistas.

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Image caption Reféns só foram libertados do Bataclan mais de duas horas depois dos primeiros tiros

"Nós pensamos que eram fogos de artifício, mas eram homens atirando em todas as direções. Então, nos deitamos no chão e rastejamos em direção ao palco", contou uma mulher.

Algumas pessoas escaparam por meio de uma saída de emergência à esquerda do palco. Outras conseguiram encontrar uma rota de fuga para o telhado.

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Naquele momento, Hollande discutia a crise com o primeiro-ministro Manuel Valls e com Bernard Cazeneuve, ministro do Interior. O presidente declarou estado de emergência no país e determinou o reforço do controle das fronteiras.

Foi ordenado o envio de forças de segurança de elite para a casa de shows. Quando a operação foi deflagrada, um policial atirou contra um dos atiradores, cujo cinto explodiu. Tudo terminou quando os outros dois detonaram a si próprios.

21h53 - Stade de France

Um terceiro homem-bomba se explodiu em um restaurante nos arredores da arena às 21h53. Todos os três usavam vestimentas com explosivos idênticas.

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