Ataques em Paris: Como dono de restaurante protegeu clientes de atiradores

Nicolas Sfintescu | Foto: BBC
Image caption Dono de restaurante levou clientes para seu apartamento e continuou servindo comida enquanto ataques ocorriam do outro lado da rua

Em meio à onda de violência e mortes em Paris na sexta-feira à noite, houve também atos de bondade que podem ter salvo vidas.

Um deles veio de Nicolas Sfintescu, o dono do restaurante L'Amarré, no 11º arrondissement (distrito) de Paris. O local fica do lado oposto da rua do restaurante La Casa Nostra, onde um atirador abriu fogo, matando pelo menos cinco pessoas.

Quando Nicolas ouviu os tiros, ele agiu rapidamente para proteger os clientes que estavam a apenas alguns metros de distância das balas.

"Eu não queria ver pessoas mortas", disse ao programa Newsbeat, da BBC. "Por isso, gritamos (os funcionários do bar): 'Vão todos para debaixo das mesas e para atrás do bar'."

Image caption Atirador deixou pelo menos cinco mortos em restaurante do outro lado da rua

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Ao se esconderem, com medo, as pessoas puderam ouvir o caos do lado de fora da janela.

"Esperamos por mais 10 minutos antes de começarmos a nos levantar. Aí algumas pessoas começaram a sair para ver o que havia acontecido. Eu não quis sair, porque não queria ver os mortos."

Naquele momento, Nicolas observou que ainda não era seguro sair do restaurante, porque não se sabia onde estava o atirador.

Ele pediu que todos os clientes voltassem para dentro e abaixou as portas de metal. Em seguida, decidiu levar todos para seu apartamento, no andar de baixo.

Havia cerca de 20 pessoas no total e ele continuou a servi-las.

"As pessoas tinham acabado de começar a comer quando aconteceu, então levei um pouco de comida e algumas garrafas de vinho", relembra.

"Estávamos espremidos em um pequeno corredor, conversando e fumando."

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Finalmente, às 4h da manhã do sábado, a polícia os informou de que era seguro sair à rua.

Só naquele momento Nicolas entendeu a gravidade do que havia acontecido a alguns passos de seu restaurante.

Havia sangue na calçada e era possível ver os buracos de balas na janela do La Casa Nostra.

"Nós tínhamos mesas na calçada, mas como estava frio, ninguém estava sentado lá. Tivemos sorte, muita sorte."