Após rompimento, 'Dilma Bolada' volta a defender presidente sob impeachment

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Image caption Em 30 de setembro, Dilma Bolada disse que Dilma não precisa de seu apoio, já que "tem o do PMDB para que se mantenha no cargo".

Dois meses depois de anunciar rompimento com o governo federal, a personagem Dilma Bolada volta a defender a presidente Dilma Rousseff – minutos após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, anunciar que deu início ao processo de impeachment.

Pelo Twitter, a personagem criada pelo publicitário Jeferson Monteiro divulgou uma montagem em que Dilma aparece vestida como a protagonista da série Jogos Vorazes, junto à frase: "Já estou pronta para a batalha! Pode vir, Cunha!".

Em 30 de setembro, Dilma Bolada dissera que Dilma não precisava de seu apoio, já que "tem o do PMDB para que se mantenha no cargo".

"Dilma não precisa do meu apoio no governo dela, nem o meu e nem do apoio de ninguém que votou nela. Afinal, para ela só importa o apoio do PMDB e de parte do empresariado para que ela se mantenha lá onde está", disse então Dilma Bolada.

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Image caption Na tarde desta quarta-feira, porém, o discurso mudou. Pelo Twitter, a personagem lançou a hashtag #DilmaNaVeiaCunhaNaCadeia, em defesa da presidente.

O comentário prosseguia: "Trocou o governo pelo cargo. Não é o governo que eu e mais de 54 milhões de brasileiros elegemos (...) Agora o que nos resta é repetir os versos de Beth Carvalho: "Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão."

No fim da tarde desta quarta-feira, porém, o discurso mudou. Pelo Twitter, a personagem lançou a hashtag #DilmaNaVeiaCunhaNaCadeia, em defesa da presidente.

Pelo Facebook, Dilma Bolada publicou a montagem de Jogos Vorazes, com a frase: "Que os jogos comecem e que a sorte esteja sempre a seu favor".

A publicação acumulou mais de 33 mil curtidas e 6,1 mil compartilhamentos em duas horas.

Após a publicação desta reportagem, Jeferson Monteiro, criador da personagem, comentou a postagem do link do texto na página da BBC Brasil no Facebook:

"Neste momento, defender o mandato de Dilma é defender a democracia. Ainda que não concorde com os rumos do governo, jamais irei apoiar o afastamento de qualquer pessoa legitimamente eleita pelo povo e que não atentou contra a Constituição", se explicou.

"Por isso, jamais, repito, jamais serei a favor do impeachment de Dilma ou de qualquer outro representante da população caso não haja provas claras de que subverteram a Constituição Federal. Principalmente se tal manobra vier de um criminoso como Eduardo Cunha", completou Dilma Bolada.

'Pedido das ruas'

O processo de impeachment da presidente foi aceito nesta quarta por Eduardo Cunha, após meses de ameaças.

Pelo Facebook, o peemedebista disse que atendeu "ao pedido das ruas".

"As manifestações populares que ocorreram no Brasil inteiro - em 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto - não foram em vão!", diz o texto, em referência aos protestos pedindo o afastamento da petista.

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Image caption O processo de impeachment da presidente foi aceito nesta quarta por Eduardo Cunha, após meses de ameaças.
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Image caption Pelo Twitter, seguidores notaram mudança de postura

Dilma Rousseff, por sua vez, transmitiu ao vivo o pronunciamento em que comentou o pedido de impeachment.

"São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam este pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim, não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público".

Em referência a Cunha, Dilma afirmou que "não possuo conta no exterior nem ocultei do conhecimento publico a existência de bens pessoais. Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses".