Cinco vozes da COP21

A reprodução deste formato de vídeo não é compatível com seu dispositivo

A palavra para o mês de "Agosto" na língua ewe - falada por 3 milhões de pessoas no Togo e em outros países africanos- é "siam lom", que significa "leve algo para fora, leve algo para dentro". É uma dica para agricultores: a região tem chuvas esparsas nesta época, o que significa que é um bom momento para plantar culturas como arroz.

Mas, com as mudanças climáticas, a palavra perdeu o sentido - assim como o nome de todos os outros meses, que fazem referências a atividades agrícolas ligadas ao período.

"Eles sabem disso há gerações, mas hoje você não pode mais confiar. Se fizer isso, perde toda a colheita", conta Sena Alouka, diretor-executivo da organização Young Volunters for the Environment (Jovens voluntário pelo ambiente), que atua em 28 países da África.

Alouka participa da Conferência do Clima da ONU, a COP21, que vai até sexta-feira e tenta fechar um acordo climático envolvendo todos os países, que terão metas a cumprir na tentativa de desacelerar o ritmo do aquecimento global.

Image caption COP21 reúne ambientalistas de todo o mundo

O principal objetivo é manter a temperatura global a até 2ºC acima dos níveis pré-industriais, meta considerada aceitável por ambientalistas.

O encontro, que ocorre em Le Bourget, na periferia de Paris, reúne não apenas governantes e negociadores como também membros da sociedade civil.

A americana Berenice Tompkins caminhou de Roma até Paris para participar da COP21. Foram dois meses andando com um grupo chamado "Peregrinação do Povo".

Eles dormiram em igrejas pelo caminho e puderam conversar com moradores sobre os impactos da mudança climática em suas vida.

Outros grupos partiram de diversos países da Europa de bicicleta, como Áustria, Alemanha e Holanda.Também houve um grupo que pedalou pela África e, outro que veio do distante Vietnã.

"Foram peregrinos de todos os lugares unidos pela justiça climática", conta ela.

Poluição

Esta não é a primeira COP do músico e ativista Moh'd Jawad, do Bahrein. Ele esteve na COP15, em Copenhague, mas mesmo com o fracasso não perdeu as esperanças.

Image caption Ativista do Bahrein compôs música para protestar contra poluição

"Vim aqui depois de falar com governantes e não ser ouvido nunca", afirma.

Ele conta que, ao redor do vilarejo onde mora, há 130 fábricas que poluem a cidade.

"E mesmo com todo o petróleo no Bahrein não somos apenas os primeiros em poluição, mas também em pobreza", afirma.

O petróleo também preocupa o presidente da organização Sarayaru, do Equador, devido aos impactos que têm nas comunidades indígenas.

"Viemos aqui com uma proposta para governantes e empresas para que percebam que conservar a natureza, a Mãe Terra, é conservar e dar garantia da vida às futuras gerações", diz Felix Santi.

Outro indígena que estava na conferência era o brasileira da etnia caiapó Patxon Metuktire, do Mato Grosso.

Metuktire foi a Paris receber um prêmio da Unesco dado ao Instituto Raoni, onde trabalha.

Ele também afirma que os efeitos do aquecimento global já são sentidos.

"Os rios estão cada vez mais secando e isso está interferindo no sistema ecológico, do qual a gente depende para manter nosso povo e nossa cultura."