Como estrangeiros – inclusive brasileiros – estão ajudando a salvar uma tradição japonesa

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Image caption Nishimura (de quimono azul) ensina dezenas de pessoas, na maioria estrangeiros, a música do kabuki

No bairro de Meguro, em Tóquio, o minúsculo apartamento de Makoto Nishimura mais parece um baú de relíquias, com seus instrumentos musicais tradicionais japoneses.

Na estante estão pendurados vários shamisen elegantemente embalados em tecido. Essa espécie de alaúde quadrado de três cordas é o instrumento mais importante do kabuki, espetáculo que mistura teatro, dança, música e mímica, entre outros elementos.

O primeiro contato de Nishimura com um shamisen foi aos 17 anos, quando ela foi apresentada ao famoso professor de música Hiroaki Kikuoka. Ele a incentivou a aprender a tocar o instrumento e foi seu mentor por 25 anos – até mesmo quando ela teve filhos e não podia mais pagar pelas aulas.

A dedicação do professor inspirou Nishimura a passar adiante seus conhecimentos sobre o kabuki, e hoje ela gerencia um estúdio em casa, o que explica a vasta coleção de flautas, tambores e uma harpa de 13 cordas chamada koto.

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Brasileiros e outros estrangeiros

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Image caption Jovens japoneses têm se desinteressado pelo kabuki por causa de outras formas de arte

Apesar de grupos contemporâneos como o Yoshida Brothers terem colaborado para modernizar a imagem da música do kabuki, essa arte está desaparecendo gradativamente, por causa do interesse dos jovens japoneses pelo pop e outros gêneros atuais.

Os poucos músicos profissionais de shamisen que existem hoje vêm de famílias onde as habilidades foram passadas de geração a geração – crianças começam a aprender o instrumento aos 6 anos de idade.

Mas, surpreendentemente, o maior interesse pelo kabuki tem vindo da comunidade de estrangeiros que vive em Tóquio. "Meus alunos são mais 'japoneses' do que a maioria dos japoneses", ri a professora.

Dentro de 20 anos, ela terá ensinado e formado mais de 200 novos músicos. Seus clientes de hoje vêm de países e culturas tão diversas como a Alemanha, a África do Sul, os Estados Unidos e até o Brasil.

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Image caption Algumas casas de espetáculo de Tóquio ainda abrigam apresentações de kabuki

À noite e nos fins de semana, o apartamento de Nishimura se enche com o som dos alunos batucando, assobiando e cantando. Uma vez por ano, eles se apresentam ao público, vestindo-se com quimonos tradicionais e acompanhados por músicos profissionais.

Para os turistas que visitam a capital japonesa em épocas que não coincidem com os espetáculos da turma, Nishimura recomenda algumas pequenas casas de Tóquio que ainda abrigam apresentações de kabuki, como o Kabukiza, no bairro de Ginza.

Assim como se fazia no século 17, quando o kabuki surgiu, as peças são encenadas apenas por atores homens, que se vestem com roupas elaboradas, se maquiam de maneira dramática e usam perucas.

Conforme eles cantam e dançam para contar histórias de amor e conflitos, o shamisen e os outros instrumentos ajudam a enfatizar as várias emoções de cada personagem.

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Leia a versão original desta reportagem (em inglês)no site BBC Travel.