Quando o para-brisa do carro vira uma tela de computador

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Image caption Sistemas de realidade aumentada poderão oferecer uma infinidade de informações para motoristas

O Salão do Automóvel de Tóquio é conhecido pelos toques futuristas na apresentação dos exibidores e na quantidade de gadgets apresentados. Além de, é claro, inovações tecnológicas ligadas ao ato de dirigir - de combustíveis "inteligentes" a carros com piloto automático.

Isso ajuda a explicar por que a realidade aumentada (AR, na sigla em inglês) acabou passando um pouco despercebida.

O sistema que transforma o para-brisa do carro em uma espécie de painel de avião de combate pode virar um senhor companheiro para motoristas, ajudando-os a ver no escuro, apontando riscos no caminho e, naturalmente, apresentando navegação detalhada.

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Dois anos atrás, a Nissan apresentou o 3E, óculos de AR que exibia dados de telemetria e acesso à internet. Foi um insucesso comercial porque polícias em vários lugares do mundo têm multado motoristas usando esse tipo de apetrecho.

Evolução

A ideia de usar o para-brisa como algo mais que uma janela para o mundo não é nova. Em 1988, a General Motors já oferecia em seu Oldsmobile Cutlass Supreme um sistema que projetava no vidro informações como velocidade e se as setas estavam ligadas.

Sistemas posteriores acrescentaram dados e, em 2000, o Cadillac Deville tinham um sistema noturno infravermelho para visão noturna que distraía mais do que ajudava.

Mas há uma diferença entre os sistemas que apenas fornecem informações básicas e os que usam a chamada percepção de situações para fornecer dados influenciados pelos arredores em tempo real.

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Image caption Em 2014, a Jaguar apresentou o "carro-fantasma" para auxiliar a navegação

Usuários de smartphones têm acesso a dúzias de apps que usam realidade aumentada. Eles contam com a percepção de realidade e uma conexão de dados para colocar na tela uma série de informações, de pontos de interesse a animações. A tecnologia em seu carro vai funcionar da mesma maneira, usando o para-brisa como uma tela gigante.

Já há vários projetos em andamento. Em 2014, engenheiros da Jaguar criaram o 360 Virtual Urban, que projeta um "carro-fantasma" no para-brisa e permite que motoristas sigam instruções de navegação em vez de apenas ouvir informações. A BMW criou para os condutores de Mini um sistema em que óculos ou lentes de contato colocam camadas digitais bem mais perto dos olhos dos motoristas.

A Mitsubishi, pelo conceito Emirai, percebe movimentos de cabeça e mesmo batimentos cardíacos dos motoristas para decidir que informações passar. Motoristas cansados poderão receber sugestão de hotéis ou paradas próximas.

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Image caption O sistema do Oldsmobile, de 1988, limitava-se à velocidade

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Uma empresa envolvida neste tipo de projeto, claro, é a Google. Recentemente, a empresa usou outdoors eletrônicos em Londres, transmitindo anúncios que obedecem a critérios como horário do dia, o clima, eventos especiais e grupos de motoristas.

Um carro conectado ao Google poderá receber informações sobre o trânsito, a gasolina mais barata ou mesmo automaticamente preparar componentes do carro para uma nevasca ou tempestade. É a soma de motorista, carro e conhecimento em tempo real.

Eis o que se pode chamar de condução inteligente. Até, claro, que o carro da Google que dirige sozinho chegue ao mercado. Aí, é possível que seu para-brisa se encha de anúncios direcionados...

Leia a versão original dessa reportagem (em inglês) no site BBC Autos

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