Quem foi o clérigo xiita cuja execução pela Arábia Saudita causou revolta

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Image caption Execução de Al-Nimr gerou condenação forte de autoridades xiitas

A execução pela Arábia Saudita do proeminente clérigo xiita Nimr al-Nimr causou revolta e protestos em comunidades xiitas pelo Oriente Médio.

Al-Nimr era conhecido por verbalizar o sentimento da minoria xiita na Arábia Saudita, que se sente marginalizada e discriminalizada, e foi crítico persistente da família real saudita. Acredita-se que tivesse um grande número de seguidores entre jovens xiitas sauditas.

Ele e outras 46 pessoas foram executadas no sábado, após serem condenadas por crimes de terrorismo.

Em represália à execução, manifestantes atacaram a embaixada saudita em Teerã na noite de sábado. Queimaram imagens do rei saudita, Salman, e chegaram a incendiar parte do edifício. A polícia dispersou o protesto e cerca de 40 pessoas foram detidas.

A família do clérigo disse que entre as condenações incluia a acusação de "interferência estrangeira" no reino, mas seus apoiadores dizem que ele apenas defendia demonstrações pacíficas e era contrário à oposição violenta ao governo.

Ele foi, inclusive, um grande apoiador dos protestos na região leste saudita, de maioria xiita, em 2011. No ano seguinte, sua prisão - na qual ele foi baleado - gerou dias de manifestações nesta área, que resultaram na morte de três pessoas.

O clérigo havia sido detido várias vezes nos últimos 10 anos e, em uma das ocasiões, disse ter apanhado de agentes da polícia secreta saudita.

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Image caption Al-Nimr era forte crítico da família real saudita e havia sido preso diversas vezes nos últimos 10 anos

Em 2008, se reuniu com autoridades dos Estados Unidos, segundo o site Wikileaks, numa tentativa de se afastar de posições antiamericanas e pró-Irã.

O grupo de direitos humanos Reprieve considerou as execuções "espantosas", e disse que ao menos quatro dos mortos, incluindo Al-Nimr, foram condenados à morte por crimes relacionados a protestos políticos.

'Alto preço'

O xiita Irã, principal rival regional da sunita Arábia Saudita, liderou a condenação oficial à execução. Sendo o poder xiita na região, o governo iraniano observa com grande interesse a questão de minorias xiitas no Oriente Médio.

A chancelaria iraniana disse que o reino saudita pagará um alto preço pela ação, e convocou o encarregado de negócios saudita em Teerã como protesto.

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Image caption Protestos contra execução foram realizados no Barein e em outros países

O site do líder supremo iraniano, aiatolá Khamenei, divulgou uma foto sugerindo que a execução era comparável às ações do grupo autodenominado Estado Islâmico.

Em mensagem no Twitter, Khamenei disse que políticos da Arábia Saudita enfrentarão "vingança divina" pela morte de El-Nimr, que descreveu como um "mártir" que agia pacificamente.

O líder supremo do Irã disse ainda que o clérigo foi morto apenas por sua oposição aos líderes sunitas da Arábia Saudita.

Autoridades sauditas negaram discriminar xiitas e acusam o Irã de alimentar o descontentamento.

O conselho xiita libanês chamou a execução de "grave erro" e o grupo militante xiita Hezbollah descreveu o ato como "assassinato".

Protestos contra a execução foram realizados na Província Leste saudita, no Barein e em outros países.

As execuções de sábado foram realizadas simultaneamente em 12 locais na Arábia Saudita. Entre os mortos está um cidadão do Chade e outro do Egito. Os demais eram sauditas.

A Arábia Saudita realizou mais de 150 execuções no ano passado, o maior número registrado por grupos de direitos humanos em 20 anos.

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