Por causa do zika, Colômbia pede que mulheres evitem ficar grávidas até julho

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Image caption Ministro da Saúde da Colômbia, Alejandro Gaviria (à dir.), em coletiva sobre a zika

"Considerando a atual fase em que se encontra a epidemia do zika vírus e o risco que ela traz, recomenda-se que os casais que vivem em território nacional evitem gestações durante essa fase, que pode se estender até o mês de julho de 2016."

Essa foi a recomendação feita nesta quarta-feira pelo governo colombiano, por meio de um comunicado assinado pelo ministro da Saúde e Proteção Social, Alejandro Gaviria.

A recomendação é semelhante à feita em novembro pelo diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde no Brasil, Cláudio Maierovitch, que depois acabou voltando atrás.

"Não engravidem agora. Esse é o conselho mais sóbrio pode ser dado", afirmou o diretor em novembro do ano passado, época que que a relação do zika com a microcefalia já se desenhava no país.

Essa sugestão do diretor foi em seguida substituída por uma oficial do ministério, aconselhando as mulheres a conversarem com seus médicos sobre os riscos de se engravidar.

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Alto risco

A circular do governo colombiano também afirma que toda mulher grávida que não viva em zonas a 2.200 metros acima do nível do mar evite viajar para essas áreas, por conta do alto risco de se contrair o vírus.

O governo recomendou que as gestantes usem repelentes e fiquem longe de lugares de coleta de água.

O zika vírus se transmite por meio da picada do mosquito Aedes aegypti, que também é o transmissor da dengue e da chikungunya.

O senador colombiano, Jorge Iván Ospina, afirmou que o ministério havia confirmado o primeiro caso de microcefalia causada pelo zika no país. No entanto, o governo negou essa informação.

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Advertências

Além do Brasil e Colômbia, outros países como Argentina, Jamaica e Estados Unidos já emitiram recomendações às mulheres grávidas ou que estão planejando engravidar.

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Image caption Ação preventiva ao Aedes aegypti nos arredores de Lima, Peru; vários países latino-americanos estão em alerta

As autoridades americanas, por exemplo, pediram que as grávidas não viajassem para 14 dos 20 países da América Latina e Caribe onde havia casos de zika.

O ministério da Saúde da Jamaica foi além e sugeriu que as mulheres do país "adiassem os planos de engravidar, na medida do possível, pelos próximos 6 a 12 meses".

Já a Argentina pediu que as medidas de prevenção fossem reforçadas por parte das grávidas, especialmente as que estavam nas áreas mais afetadas do país.

A Organização Mundial da Saúde afirmou que o vírus zika pode se espalhar por todos os países da região.

No Brasil, até o momento há 3.893 casos de microcefalia relacionados ao zika em 21 Estados. Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, desses casos, 1.306 estão em Pernambuco, primeiro Estado a identificar o aumento do problema, onde foi decretado o estado de emergência desde novembro.

Em segundo está a Paraíba, com 665 casos, e em terceiro a Bahia, com 496 ocorrências.

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