Lava Jato já recuperou mais de R$ 4 bi, diz Janot

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Image caption Rodrigo Janot falou sobre a Lava Jato em uma reunião ministerial da OECD em Paris

A operação Lava Jato, que investiga o escândalo de corrupção na Petrobras, permitiu recuperar até o momento 1 bilhão de euros (cerca de R$ 4,2 bilhões), sendo que 200 milhões de euros (R$ 840 milhões) já foram repatriados por meio de acordos de colaboração internacional, disse nesta quarta-feira, em Paris, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Os números foram mencionados por Janot em uma reunião ministerial na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que discutiu o combate ao suborno em negócios internacionais.

O Ministério Público Federal (MPF) já pediu indenizações no valor de 5,5 bilhões de euros (cerca de R$ 21 bilhões) em processos civis por improbidade administrativa contra 34 pessoas físicas e 16 jurídicas no âmbito da Lava Jato, segundo o procurador-geral.

O valor de 1 bilhão de euros “recuperados” inclui valores bloqueados em contas por autoridades judiciais.

No evento na OCDE, com procuradores-gerais e secretários de Justiça de vários países, Janot se referiu à Lava Jato, iniciada em 2014, como a “maior investigação sobre corrupção e lavagem da dinheiro da história do Brasil.”

De acordo com Janot, a investigação, que envolve 200 acusados, já resultou em 137 prisões e 600 operações de busca e apreensão.

Dilma

O procurador-geral não quis, no entanto, comentar em Paris os desdobramentos recentes na Lava Jato. Ele apenas declarou que investigações podem ser abertas contra qualquer um dos políticos citados pelo senador Delcídio do Amaral em sua delação premiada, o que inclui a presidente Dilma Rousseff, e que ninguém estaria acima da lei.

“Temos um material que estamos examinando. Se houver indício, vamos abrir investigação, independentemente de quem seja”, declarou Janot, afirmando se referir à delação do senador Delcídio, mas também a outras.

“Em uma República, ninguém tem privilégio nem tratamento diferenciado.Todos são iguais”, afirmou Janot ao ser questionado se estava se referindo também à presidente Dilma.

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Image caption Delcídio Amaral acusou Dilma e Lula de tentarem interferir na Lava Jato

A delação de Delcídio cita também denúncias contra o ex-presidente Lula (recém-confirmado como ministro da Casa Civil), o ministro da Educação Aloizio Mercadante, o vice-presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), entre outros.

Janot afirmou ainda que “teoricamente é possível” que o publicitário Marcos Valério, condenado pelo escândalo do mensalão, faça uma delação premiada.

“A lei não proíbe que haja cooperação após a condenação”, disse o procurador-geral. A defesa de Marcos Valério afirma que o publicitário planejaria colaborar com as investigações da Lava Jato.

Janot também não quis comentar o fato de Lula ter se tornado ministro. “Isso é problema dele, não meu”, disse Janot, que preferiu dizer que “não sabia” se a obtenção de foro privilegiado tornaria a situação de Lula mais fácil.

A reunião da qual Janot participou em Paris era de âmbito ministerial e debatia o combate a subornos em negócios internacionais.

O Brasil aderiu em 2000 à Convenção da OCDE sobre Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais.

Segundo Janot, os ministérios públicos do Brasil e da Suíça estão trabalhando para criar uma equipe conjunta de investigação, a primeira desse tipo firmada com um país europeu.

“As discussões com a Suíça já estão avançadas”, disse Janot, acrescentando que uma equipe conjunta de investigações também deve ser criada com a Itália.