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Atualizado às: 07 de janeiro, 2004 - 13h05 GMT (11h05 Brasília)
 
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Ivan Lessa: Ano-bom
Ivan Lessa

Passeio pelas folhas auri-verdes em seus primeiros seis dias do, seguramente, próspero e feliz ano novo.

Fico sabendo que a virada do ano, em Copacabana, foi assistida por 2,5 milhões de pessoas e é “a melhor do mundo”.

Sinto ter perdido.

Só vi, na TV, 2004 chegar em Londres, Paris, Nova York, Hong Kong, Moscou e Sydney, na Austrália, que, segundo os idiotas dos estrangeiros, também é “a melhor do mundo”.

Os idiotas, e pouco patriotas cidadãos, dessas cidades não cantaram seus hinos nacionais.

Nas cidades banhadas por mar ou rio, não houve barco com reproduções da imagem do Cristo Redentor com a palavras “Amor” grafada errada (saiu “Aorm”).

Mesmo para seis dias apenas, as notícias canarinho do Brasil do Rio não cessam nas colunas de atividades beirando a/o “social”.

Lá está, na boca de um americano (fichem e pregressem-no): “A árvore do Rockefeller Center não chega aos pés da árvore da Lagoa”.

Na mesma coluna, mais adiante, o cronista informa que o novo governo da Califórnia está em vias de aprovar uma “cópia cuspida e escarrada da nossa Lei de Responsabilidade Fiscal”.

O país vibra com o destemor de um juiz federal matogrossense que instituiu, em todos os portos e aeroportos do país, o fichamento obrigatório de viajantes americanos ao Brasil.

O Princípio da Reciprocidade, como Django, não perdoa.

O mesmo juiz, em seu arrazoado, informou à Agência Reuters, no dia 30 de dezembro, que a medida adotada pelos Estados Unidos como parte da campanha de se defender de possíveis atos terroristas, em vigor a partir de segunda, 5 de janeiro, e destinada a todos os países que necessitam de visto para entrada no país, à exceção de 27, é por ele considerada “ato absolutamente brutal, ameaçador dos direitos humanos, violando a dignidade humana, xenofóbico e digno dos piores horrores cometidos pelos nazistas.”

Na madrugada do dia 3 de janeiro, na praça Serzedelo Correia, em Copacabana -- onde garoto eu assistia teatrinho de marionetes -, um menino de rua de 13 anos, Maurício Neves da Silva, foi incendiado enquanto dormia por aqueles que seus companheiros de folguedos chamam de playboys, que, segundo eles, em geral, preferem apenas surrá-los com tacos e paus.

No Realengo, ainda no Rio, um doente mental foi espancado até a morte por jovens locais.

Happy New Year!

 
 
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