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Atualizado às: 09 de janeiro, 2004 - 12h08 GMT (10h08 Brasília)
 
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Ivan Lessa: Ah, esses franceses!
Ivan Lessa

Francês ama livro.

Francês lê adoidado.

Francês é culto pra chuchu.

E por aí afora.

Quando se bota no meio da história um uniforme, militar ou policial, as coisas mudam de figura.

Vide várias guerras, com ênfase nas de 1914-1918 e na de 1939-1945.

Vide também os “acontecimentos” (vamos chamá-los assim) de 1968, com os estudantes querendo por força a imaginação no poder.

Vira e mexe, quem acaba no poder é gente como Pompidou, Mitterand, Chirac.

A gente sabe, a gente conhece.

Mas em matéria de livro, são imbatíveis, diz o lugar comum.

Das vendas de Jorge Amado e a condecoração da Legião de Honra tacada no peito do igualmente vendabilíssimo mago Paulo Coelho, nós sempre pegamos uma beirada nesses excessos culturais.

Só que de vez em quando um livro some.

Por exemplo, o La Guerre à Outrance (A Guerra sem Quartel), do belga Alain Hertoghe, de 44 anos.

Seu livro, publicado em outubro do ano passado, defende e expõe a tese de que os repórteres franceses foram mais patriotas do que jornalísticos em sua cobertura da guerra dos americanos e sua chamada coalizão contra o Iraque.

Outro dia mesmo, na televisão, Hertoghe disse que os leitores que se orientam apenas pelo que sai nos jornais não conseguem entender como e porque os americanos ganharam (se isso que vemos é vitória) a guerra, acrescentando que a imprensa francesa, como um todo, não foi neutra.

O livro examina a cobertura diária de cinco grandes jornais, inclusive o jornal que empregava Hertoghe, o La Croix, nas três semanas a partir dos primeiros ataques a Bagdá, no dia 20 de março, a 9 de abril, quando o regime de Saddam Hussein caiu de vez.

Os outros jornais são o independente Le Monde, o conservador Le Figaro, o Libération, de esquerda, e regional, Ouest-France.

Hertoghe disse que os repórteres reportavam as emoções correntes na França e não nos campos de batalha do Iraque, absortos que estavam com o papel da França (que deve sempre ser gloriosa) nas Nações Unidas.

No dia 15 de dezembro, logo após a publicação de seu livro, o La Croix demitiu Hertoghe citando inclusive o fato de que este estaria dando um mau nome ao jornal.

E mais não disse.

Na França, o silêncio prossegue e ainda há esperança de se conseguir algum negocinho na reconstrução do Iraque.

 
 
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