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Atualizado às: 23 de janeiro, 2004 - 09h59 GMT (07h59 Brasília)
 
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Limpeza do Reno custou US$ 15 bilhões
 

 

O rio Reno, que nasce na Suíça e deságua no Mar do Norte, era um dos mais poluídos da Europa. Um esforço conjunto da iniciativa privada e dos governos dos países banhados pelo rio conseguiu limpar o Reno.

Não faz muito tempo que o rio Reno era chamado de "cloaca" da Europa. Quem ficava às suas margens não precisava de muita imaginação para entender o apelido: o Reno era um rio morto, de águas sujas e mal-cheirosas.

Várias empresas químicas de grande porte como Sandoz, Ciba e Basf jogavam seus dejetos diretamente no rio, que também passa por várias zonas industriais ao longo de seus mais de 1,3 mil quilômetros de extensão.

Hoje, a coisa mudou: a vida voltou ao Reno, que agora é considerado oficialmente um rio limpo. Este é o fruto de 20 anos de trabalho e de uma cooperação entre os seis países banhados pelo rio, entre eles França, Alemanha, Suiça e Holanda.

Gota d'água

A doutora Anne Schulte-Wülwer-Leidig, vice-diretora da Comissão Internacional para a Proteção do Reno, lembra que um acidente grave na fábrica da multinacional suíça Sandoz, que poluiu o rio em 1986, foi a gota d'água que faltava para que a limpeza do Reno fosse levada a sério.

"O acidente alertou as autoridades e a opinião pública para os problemas do rio", disse a cientista. Na época, o Reno foi contaminado com 20 toneladas de um pesticida altamente tóxico.

Mais de US$ 15 bilhões foram investidos pelos governos e pela iniciativa privada desde 1989 na construção de estações de tratamento de água e de monitoramento ao longo do rio. Deu certo: agora, pode-se ver até gente pescando no Reno, o que era impossível dez anos atrás.

Das 64 espécies de peixes que povoavam o Reno antes da poluição, 63 já voltaram ao rio. Só falta um peixe voltar, o estrujão. A conscientização das empresas, principalmente da indústria química, foi vital para a recuperação do rio.

Hartmut Skalicki, que é responsável pelo meio ambiente na Associação Alemã da Indústria Química, diz que não foi a lei, mas sim a pressão da opinião pública que levou as empresas a investir na despoluição do rio.

Primeiro, foram construídas estações de tratamento, depois, sistemas de emergência para evitar que o rio seja poluído por acidentes. Hoje em dia, cerca de 95% dos esgotos das empresas são tratados.

Agora, só falta reduzir a quantidade de pesticida absorvida pelo rio, que vem da agricultura. De qualquer modo, a limpeza do Reno já é considerada um dos maiores sucessos da ecologia da Europa.

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