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Atualizado às: 09 de fevereiro, 2004 - 10h32 GMT (08h32 Brasília)
 
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Rainha + 200 mulheres
 
Ivan Lessa
Os jornais noticiam que a Rainha Elizabeth expressou – e aqui eu vou de aspas por se tratar de realeza –''o desejo de comemorar a excelência das mulheres''.

Já comecei a estranhar. Há mais de 50 anos no trono e Sua Majestade até agora ainda não comemorou a ''excelência'' daquele que, quando de sua ascensão, era chamado de ''sexo frágil''? Acho quase improvável.

Sua Majestade já encontrou tempo para comemorar quase tudo que se possa imaginar – do fim da Segunda Guerra Mundial à existência no trono brasileiro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Concerto de rock, reunião de veteranos, chá com velhinhas, exposição de lentes de precisão, corrida de cavalos, principalmente corrida de cavalos, a tudo Sua Majestade esteve presente.

Olhou, ficou séria, esboçou sorriso, pegou firme na bolsa e seguiu em frente. Não é fácil ser Rainha da Inglaterra.

Prendas domésticas

Conforme se ensina, a Rainha Vitória, ascendente da atual soberana, não acreditava na igualdade dos sexos. O lugar da mulher era no lar; suas prendas, as domésticas.

O mundo era dos homens, com seus charutos, guerras a guerrear e um império a administrar.

Não é por nada que chamam de vitorianos os mais de 60 anos em que as mulheres sorriam, choravam, amavam e viviam pedindo, ''Meus sais! Meus sais!''.

Quanto à Rainha Vitória, essa, claro, tinha um lugar garantido: o trono. Almoçar com 200 outras mulheres? Ainda mais destituídas de cetro e coroa? Nem pensar.

Voltando a nossos dias. A Rainha Elizabeth convidou 200 mulheres para um almoção no palácio de Buckingham.

Entre as convidadas, vazados apenas os nomes de J.K. Rowling, a criadora de Harry Potter, e Cherie Blair, excelentíssima esposa do primeiro-ministro Tony Blair.

Um porta-voz do palácio explicou à imprensa que ''almoço é mais conveniente para as mulheres, uma vez que de tarde elas têm que ir pegar as crianças no colégio.''

Discordo duas vezes do real almoção. Primeiro lugar, não há condição de se comemorar nada, nem vitória de escola de samba, com um almoço para 200 pessoas.

Essas coisas só funcionam, conforme diziam os cronistas sociais de antanho, em ''petit comitê''.

No máximo, 20 mulheres de cada vez, para poderem discutirem em paz maquiagem, os melhores detergentes e o que acham das indicações para o Oscar.

Em segundo lugar, passei mais de 10 anos, aqui em Londres, indo levar e pegar minha filha no colégio, já que minha mulher, como hoje, trabalha.

Com o devido respeito, Sua Majestade: estão comemorando mal, bastante mal.

 
 
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