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Atualizado às: 16 de fevereiro, 2004 - 10h21 GMT (08h21 Brasília)
 
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Dia de São Valentim
 
Ivan Lessa
Sábado foi dia dos namorados aqui. Dia de São Valentim.

Houve imensa troca de cartões, a cada ano mais eletrônicos. Houve a publicação em quase todos os jornais, mesmo os mais sérios, das pequenas mensagens cifradas em linguagem tatibitate de namorados de todas as idades. Houve um excesso de corações, principalmente de chocolate, expostos por toda a Grã-Bretanha. Houve troca de juras e de presentes. Felizmente, para quem não participa desses jogos, dava para ignorá-los, o que é impossível, digamos, com o Carnaval no Brasil.

A origem do dia dos namorados, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, é conhecida. Valentim foi um padre que, na época do Império Romano, ajudou cristãos durante o império de Claudius, aliás o segundo com esse nome, e que acabou sendo decapitado como prêmio para seu…ah… bom coração.

Valentim, como o amor, é meio misterioso, dele se contam outras histórias e versões. Possível que tivesse sido um bispo católico em Terni. Capaz de não passar de alguém que na África, em segredo, casasse aqueles que por isto ou por aquilo tinham proibida sua união. Outros juram que tudo começou com as festas romanas da Lupercália. Tanta controvérsia era um pouco demais para a Igreja Católica. Por isso mesmo, em 1969, São Valentim foi cassado (era uma época boa para cassações) e deixou de ter seu nome na lista oficial de festas católicas mundiais.

No Brasil, as coisas são mais simples. O dia dos namorados foi instituído pelo publicitário João Dória, para o dia 12 de junho de 1950, que aproveitou e cunhou ainda o slogan "não é só com beijos que se prova o amor" para uma época do ano em que no comércio as vendas eram fracas.

Pena que o Dória, um mês depois, não tenha cuidado da disposição de bola de nossa seleção, que, no 16 de julho – como esquecer? –, perdeu de 2 a 1 para o Uruguai no Maracanã. Os comerciantes gostaram tanto que desandaram a inventar dia de tudo: dos avozinhos, secretária, até mesmo da "outra", sugeriria Nelson Rodrigues.

Só me lembro de uma música para o dia. Gravada pelo Blackout. E que não pegou. Só eu e mais 5 pessoas conhecemos. Tem um pedaço que diz “todo o mundo está em festa”. Não me lembro de mais nada. Ao contrário das namoradas. Dessas me lembro. E muito.

É bom deixar essas coisas para lá.

 
 
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