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Atualizado às: 30 de abril, 2004 - 10h25 GMT (07h25 Brasília)
 
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Ivan Lessa: A redonda e o quadrado
 
Ivan Lessa
Todos nós que acompanhamos futebol temos nossos heróis. Para ficar nessa brincadeira que cisma em não sair de moda, façamos nossa listinha dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos.

Mesmo quem não viu jogar, e só conhece de videoteipe, nela incluirá Garrincha e Pelé. Com toda e merecida razão. Lá estarão também, espero, Gerson, Heleno de Freitas, Leônidas e muitos outros. Tudo justo, justíssimo.

Acontece, no entanto, que eu estou interessado no esotérico, nos mistérios que nos rondam não só à noite como nas tardes ensolaradas do Maracanã ou o mais vagabundo campo de peladas de times da terceira divisão.

Sempre tive minha cisma com o jogador cismado. Aquele que mereceria, sozinho, um livro só sobre seu relacionamento com a bola.

Para exemplificar, fiquemos com um escritor, francês como Zidane, chegado ao balípodo, ou ludopédio, só que goleiro nas horas vagas: Albert Camus. Isso mesmo, aquele do existencialismo. Toda obra de Camus, para quem quiser, pode ser lida à luz do futebol – com lucro inclusive para o leitor, ouso sugerir.

Os franceses amam as disciplinas do raciocínio, não importam os caminhos que sigam, tanto faz se é obscuro ou hermético. O importante é soar bem, ter um jeito de que faz uma diferença na vida da gente e de todo mundo.

Depois dessa volta toda, qual leitura pedante de Júlio Verne, chego à minha listinha. Quero nela incluir Didi. Mais: quero apenas o Didi, sem lista – seu jogo de bola, seu relacionamento com aquela que ele tratava e chamava de Leonor, uma mulher caprichosa e digna de devoção única.

Cansei de ir, lá por volta de 57 e 58, ao treino das quartas-feiras do Botafogo. Vi de perto, o homem se enredando com a redonda. Procurando a melhor maneira de com ela lidar, como nela bater (com uma flor?), a difícil arte de passar, passar, passar. Era uma beleza. Passou.

Tudo isso porque foi eleito jogador do ano, aqui nestas ilhas, Thierry Henry, do Arsenal, campeão inglês desde domingo passado e que, em ocasião memorável, há duas temporadas, depois de nada fazer em campo, disse aos repórteres: "Eu não estava lá."

Depoimento que tentava trazer, mais uma vez, Sartre ou Jacques Prévert, aos ingleses: o existencialismo disposto a um comeback sensacional. Ficou nisso. Depois da declaração, Henry passou a ser apenas um jogador excepcional. Como Didi.

 
 
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