BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 05 de maio, 2004 - 08h27 GMT (05h27 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
Passeio no cemitério
 
Ivan Lessa
Já fui a Paris algumas dezenas de vezes. Fiz tudo que um turista de escola tem de fazer. Subi na Torre Eiffel, subi a Montmartre, subi até mesmo no Arco do Triunfo. Há no entanto um passeio dito obrigatório que nunca fiz. É a visitinha ao cemitério Père Lachaise, que, como tantas outras gentes e pessoas, está aniversariando em números redondos neste ano: 200 aninhos.

A história do Père Lachaise é complicada e não pode ser mais francesa. No início, não fez o menor sucesso. Ninguém que se prezasse, ou fosse prezado, queria lá ser enterrado. Até mesmo uma campanha publicitária, em 1817, e a remoção dos restos mortais dos imortais Molière e La Fontaine não constituíram atração suficiente para erguer no firmamento fúnebre a última pousada do Père Lachaise.

Foi necessário um intelectual para salvar a situação, conforme é do gosto gálico: mestre Honoré de Balzac, que em seu livro O Pai Goriot, de 1835, colocou no mapa literário o cemitério. Tal e qual sucedeu na marchinha popular Balzaqueana, Balzac atirou na pinta. Foi como se ele tivesse encontrado um slogan formidável que revertesse toda a situação do Père Lachaise. A verdade é que, hoje, lá estão, em seu último descanso, em meio a 70 mil túmulos, cuidados por uma equipe de cem funcionários dedicados, lá estão, dizia eu, Chopin, Edith Piaf, Bizet, Oscar Wilde e… e... Jim Morrison, o famoso roqueiro.

Precisamente com Morrison é que começam os atuais problemas do Père Lachaise. Tem gente, tem garotada demais, indo lá prestar suas últimas homenagens. Calculam que, por ano, 1 milhão de pessoas vão ao cemitério só para chorar, se é isso que fazem, ao pé do túmulo de Jim, digo logo pegando intimidade. Lá deixam, ao que parece, uma lixarada tremenda. Tanto lixo e tanto caso criam que a administração do cemitério quer agora expulsá-lo do recinto, conforme acontece com certos vivos em certos concertos de rock.

É, mas não pode ser. Ao contrário de outras celebridades, o túmulo de Jim Morrisson foi arrendado por toda a vida. Por toda a vida do cemitério, esclareço.

Assim como no Iraque, há um segurança velando pelo último repouso do roqueiro. Talvez – quem sabe? – um fã exaltado de Oscar Wilde ou Edith Piaf pode ir lá e trasladar por conta própria, para sua casa, ou rancho de Michael Jackson, os inquietos restos mortais do imortal Jim Morrison.

 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
 
 
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade