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Da burrice e suas seqüelas
 
Esporte emburrece. Isso tudo é sabido e havido. Emburrece principalmente aqueles que o acompanham torcendo.

Os que o praticam sofrem de burrice profissional, ganham uma fortuna, não há motivo para deles se apiedar.

O esporte que mais emburrece é o futebol, uma vez que se trata do “esporte das multidões”, conforme a burrice dos comentaristas e locutores não se cansa de deixar claro.

Ainda não há estudo publicado verificando a correlação entre o que dizem os “realmente técnicos” e a multidão de fiéis cordeiros que os ouve atentamente como se tratasse de novo e atualizado Sermão da Montanha.

Se praticar o nobre esporte britânico (pouquíssimo “bretão”, conforme insiste em repetir a irmandade comentaristal), não dá para chamar de burro, uma vez que o negócio é business, como se diz no Brasil, e dá uma fortuna àqueles que o praticam com um mínimo de desenvoltura.

Burrice em jogador de futebol só na maneira como lida com a “redonda” (olha os comentaristas, de novo. Isso pega).

Outro dia, quando Portugal mandou para casa mais de 40 mil ingleses que disputavam o campeonato de ingestão de cerveja lusitana, o mundo inteiro assistiu, perplexo, o técnico da seleção portuguesa, Felipão Scolari, ítalo-brasileiro por certo, envolto na bandeira brasileira e, mais tarde, agitando a nossa, que ele diz dele, e a deles, que os portugueses acreditam corretamente ser deles.

Scolari declarou para a imprensa tratar-se de gesto destinado a demonstrar a “irmandade” entre os dois países. Ora, o Brasil não tinha nada a ver com a disputa de pênaltis cobrados de um montinho ao lado de um buraco no gramado.

Os brasileiros, com alguma memória ou conhecimento (são pouquíssimos), em matéria de “irmandade”, lembram-se é de como Pelé saiu de campo mancando no Portugal-Brasil da Copa de 66, quando um indivíduo por nome Vicente, que passava por defensor da seleção lusa, acabou “alijando-o da contenda” após seguidas e brutais faltas.

E olha eu aí de novo falando em comentarês.

Comentei, outro dia, a febre das bandeiras e adereços ufanistas aqui na Inglaterra.

O que eles, os torcedores, vão fazer com tudo isso é difícil saber.

Minto. Vão – burramente, é claro – levar para Wimbledon, onde há um inglês e meio – Tim Henman e um semi-canadense, Greg Rusedsky, (até o momento em que bato estas linhas) disputando torneio de um esporte que também já não foi milionário e menos burro.

Depois, entrou tutu a beça no negócio e, como tudo mais, babau!

 
 
Arquivo - Ivan
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