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Atualizado às: 07 de julho, 2004 - 11h57 GMT (08h57 Brasília)
 
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Os russos chegaram! Os russos chegaram!
 
Ivan Lessa
Conforme reza e ora o lugar-comum: parece que foi ontem.

Parece que foi ontem que ser milionário era o máximo e os milionários podiam ser contados nos dedos da mão. Tá bom, vá lá que seja: nos dedos de umas duas mil mãos.

Milionário bastava. Era Rockefeller e o Tio Patinhas. Depois vieram os armadores gregos, todos cismando de casar com viúva de presidente morto americano. Os milionários de repente passaram a ser paupérrimos. Surgiram os bilionários. E todo mundo achou ótimo e pediu bis.

Quando cheguei aqui neste país, há mais de 30 anos, os bilionários ingleses não existiam. Pelo menos em termos de mídia. Escondiam-se. Não havia revista Hello! ou suplemento dominical com lista das pessoas mais ricas do país.

Dinheiro era uma espécie de segredo, de coisa feia, assunto impróprio para as casas de família. Tinha, como sempre, ricos e pobres. E aquele pau todo, ao menos verbal e escrito, para ver se havia jeito de diminuir a diferença entre um e outro. A chamada luta, ou catch-as-catch-can, de classes. Que acabou em louca admiração dos destituídos pelos abastados. Como nas telenovelas.

Em suma, como se diz em péssimo português, era baixíssimo o perfil dos ricos. O mundo era dos remediados.

Até que com a crise do petróleo surgiram os árabes. Com eles, bilionário passou a ser fichinha. Nem a língua inglesa, ou portuguesa, para ser franco, sabia como lidar com eles, como chamá-los. Daí a adoção de zilionários. Os árabes nos deram a álgebra, o Corão e o zilhão.

Mas os árabes já foram mandados para córner. Por quem? Pelos russos, quem diria. Os russos são os novos árabes. Londres está coalhada de zilionários russos. Tanto que já se fala em quintiolionários ou quinzilionários.

O dinheiro é tanto que não só é difícil de contar como de classificar. Eles estão por aí e com alta visibilidade: comprando times de futebol, palacetes em terrenos da monarquia e só Deus sabe que outras manifestações de oligarquia.

Por isso, brasileiros que ligam tanto para essas coisas, esse tipo de celebridade: nem só de Naomi Campbell vive o que restou de nossas colunas sociais.

Só chegaremos ao primeiro mundo quando houver um salário mínimo decente para os pobres e ao menos um quinzilionário russo abrilhantando desfile no sambódromo ou drinques com Narcisa Tamborimdeguy.

 
 
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