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Atualizado às: 20 de outubro, 2004 - 12h34 GMT (09h34 Brasília)
 
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Iraque paga a conta
 
Ivan Lessa
Graças à Naomi Klein fiquei sabendo de coisas interessantes. Naomi Klein é uma jornalista canadense de nascimento que, desde os seis anos, preferiu implicar com as corporações que fabricavam suas coisas – bonecas, brinquedos, balas – do que com as coisas propriamente ditas.

Ela escreveu um livro contra o corporativismo, “No Logo” (“Sem Logotipo”), tido por muitos como o “Das Kapital” do movimento anti-corporativista. Onde tiver artigo dela, atentem.

Agora mesmo, ela acaba de informar, para quem quiser saber (poucos sabiam, confessem), de que agora, 21 de outubro, o Iraque vai desembolsar US$ 200 milhões em indenizações de guerra a algumas das corporações e países mais ricos do mundo.

Isso sem falar em sua estupenda dívida externa de US$ 125 bilhões.

"Guerra é guerra." "Perdeu, é isso aí", dirão muitos. Verdade. Mas que guerra? A do Golfo, ora! Só que estamos falando da primeira, aquela de 1991 e não a mais recente.

Isso mesmo. O Iraque continua pagando pela estupidez de ter invadido e ocupado o Kuwait em 1990. Foi uma das condições impostas pela UNCC, ou seja, a Comissão de Indenizações das Nações Unidas, sediada em Genebra, na Suíça, que avalia e faz a farta distribuição de dinheiro entre as – digamos logo – multinacionais que foram, ou se acham, prejudicadas com as burrices de Saddam Hussein.

Um detalhe importante: desde que Saddam foi derrubado, em abril, o Iraque já “compareceu” com US$ 1,8 bilhão em indenizações. Quer dizer: os iraquianos perderam duas guerras e, com ocupação e tudo, continuam a pagar pelas besteiras cometidas pelo ex-líder há 14 anos.

De abril para cá, US$ 37 milhões foram para a Grã-Bretanha e US$ 32 milhões para os Estados Unidos. Isso significa que as duas forças de ocupação irmãs já coletaram perto de US$ 70 milhões do povo ocupado.

Tem mais: essa dinheirama toda, e a dos anos anteriores, corresponde aos lucros que deixaram – friso: deixaram – de auferir.

Quem deixou de auferir? A Mobil, a Shell, a Nestlé, a Pepsi, a Philip Morris, a Sheraton, a Kentucky Fried Chicken e até mesmo a Toys R Us.

Tudo em nome do que chamam de “lucros perdidos”. No caso da American Express, esta alega “queda em seus negócios”.

Naomi Klein finaliza seu artigo como finalizarei esta pequena introdução de resumo: em vez das indenizações estarem chegando ao Iraque, elas estão deixando o Iraque.

 
 
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