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Atualizado às: 13 de dezembro, 2004 - 10h11 GMT (08h11 Brasília)
 
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Bobos, bobagens e bobeiras
 
Ivan Lessa
Nem tudo está perdido. Vão acabar com a Câmara dos Lordes e parar de caçar raposa. Não se pensou em tombar um e outro, como fizeram com o acarajé, no Brasil.

Em compensação, para regozijo de muitos, o equivalente inglês ao Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o English Heritage, depois de muito pensar, cansou-se de sua própria seriedade, em louvável atitude de auto-crítica, e, mediante os préstimos de uma agência, resolveu reviver o cargo de bobo da corte.

Os bobos da corte desapareceram – no sentido de que o cargo foi para todos os efeitos abolido – desde os tempos do primeiro dos reis Charles (1600 a 1649), que, após graves desentendimentos com o Parlamento, levou o país a uma guerra civil e acabou sendo enforcado por crimes contra a pátria.

Não era uma época divertida. Carlitos, o Gordo e o Magro, mesmo o nosso Oscarito, tombado ou não, dificilmente colocariam um sorriso no rostão sério daquela turma danada de enfezada.

Fato é que, nesse tempo todo, a profissão, para todos os efeitos, foi para o beleléu, para usar uma expressão de nossa época de corte – sem bobos, ao menos oficiais.

O The Times, tradição também diminuída, literalmente, já que adotou o formato tablóide, divulgou outro dia um anúncio na tradicional seção de classificados convocando os interessados a se apresentarem, ressaltando que todos teriam que ter bom humor, dispor de fantasia própria, com os guizos obrigatórios, e estarem preparados para trabalhar nos fins-de-semana do ano que vem.

Um probleminha: a agência que colocou o classificado dava apenas dois dias para os aspirantes a bobos da corte efetivarem a inscrição.

Foi uma zorra. Bobos sem corte de toda Inglaterra reclamaram da escassez do tempo e do fato de que a tal agência se apropriara indevidamente do título de bobo oficial, que, segundo eles, já existe e é protegido pela Guilda Nacional dos Jesters, ou seja, humildes mas orgulhosos bobos, ou palhaços, de aldeia.

O caso foi levado ao Parlamento e está sendo estudado. Mais ou menos a sério.

 
 
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