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Atualizado às: 28 de novembro, 2005 - 10h41 GMT (08h41 Brasília)
 
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Conferência sobre aquecimento global deve aumentar pressão sobre Brasil
 

 
 
Poluição
Redução das emissões é necessária para combater efeito estufa
Representantes de 189 países começam a discutir nesta segunda-feira em Montreal, no Canadá, o futuro do combate ao aquecimento global após 2012, quando termina o período de vigência do protocolo de Kyoto.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas deve marcar um ponto de inflexão nas discussões sobre o tema, com uma pressão maior sobre os grandes países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil.

O protocolo de Kyoto, acordado em 1997, entrou em vigor apenas em fevereiro deste ano, graças em grande parte à oposição dos Estados Unidos, que alega que as metas de redução de emissão de gases poluentes teriam um efeito prejudicial à economia do país.

O documento, assinado por 156 países, estabelecia metas de redução de ao menos 5% nas emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, para 36 países desenvolvidos. Os demais países em desenvolvimento, apesar de serem encorajados a buscar reduções em suas emissões, não tinham metas estabelecidas pelo protocolo.

Estados Unidos

A oposição dos Estados Unidos, o maior emissor mundial de CO2, praticamente inviabilizou o cumprimento das metas estabelecidas para o controle global da poluição responsável pelo aquecimento global.

Ao lado da Austrália, os Estados Unidos vêm buscando um acordo alternativo a Kyoto, alegando que o problema só deve ser discutido se houver uma garantia de que o desenvolvimento e o crescimento econômico não sejam prejudicados.

A posição americana e australiana acabou ganhando força com uma nova diretriz do governo britânico, expressada pelo primeiro-ministro Tony Blair em entrevista no fim de outubro, de que um novo acordo é necessário para incluir também restrições às emissões de China e Índia, os dois países mais populosos do mundo.

“Estamos em um grande impasse, e é difícil prever como esta conferência pode se desenvolver”, disse à BBC Brasil Stephanie Tunmore, responsável pela Campanha pelo Clima da organização ambientalista Greenpeace, em Londres.

“Os países industrializados querem encontrar maneiras de incluir os países em desenvolvimento nas metas de controle, enquanto os países em desenvolvimento não querem enfrentar restrições enquanto os países desenvolvidos não fizerem sua parte”, diz.

Um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) publicado no início do mês indicava que as emissões dos gases do efeito estufa poderiam aumentar em até 52% até 2030 se não forem tomadas medidas para reduzir o consumo de energia.

O relatório indicava também que as emissões de China e Índia, cujas populações somadas chegam a quase 2,5 bilhões e que apresentam crescimento econômico acelerado, tiveram um crescimento nas emissões de CO2 de 65% e 75%, respectivamente.

Apesar disso, Stephanie Tunmore observa que as emissões per capita de ambos os países continuam muito menores do que as dos Estados Unidos e que os dois gigantes asiáticos, mesmo sem o estabelecimento de metas pelo protocolo de Kyoto, vêm investindo no desenvolvimento de tecnologias mais limpas.

"Novo estágio"

Para Anthony Hall, professor da London School of Economics especialista em questões ambientais, há “claramente um novo estágio (nas discussões sobre o controle do aquecimento global), no qual as pressões mais fortes estão sobre os países em desenvolvimento”.

A tentativa de impor metas de restrição aos países em desenvolvimento será “certamente uma das principais agendas do encontro”, segundo ele.

De acordo com Hall, uma proposta paralela, incentivada pelo governo britânico, deve propor uma generalização das metas de restrições das emissões, mas com um cumprimento voluntário em vez de compulsório, para persuadir os Estados Unidos a aceitarem o novo acordo.

Outra questão em discussão na conferência de Montreal e que pode afetar diretamente o Brasil deve ser uma proposta para que os países com grandes coberturas florestais recebam uma compensação financeira pela conservação destas áreas.

Uma proposta para estabelecer esse tipo de compensação foi apresentada por Papua Nova Guiné e Costa Rica, dois países pequenos mas cujas áreas florestais estão entre as de maior biodiversidade no mundo.

Esta proposta tem a simpatia do governo brasileiro, que não declarou ainda, porém, seu apoio formal. Até agora, os países que manifestaram apoio oficial à proposta são Bolívia, República Centro-Africana, Chile, Congo, Costa Rica, República Democrática do Congo, República Dominicana e Nicarágua.

 
 
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