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Atualizado às: 06 de agosto, 2006 - 13h47 GMT (10h47 Brasília)
 
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Pesquisa explica por que temos sono após comer
 
Cientistas britânicos encontraram o porquê de ser tão difícil resistir a uma soneca depois da macarronada de domingo.

Pesquisadores da Universidade de Manchester decifraram o mecanismo pelo qual o cérebro interrompe seu estado de alerta depois que comemos.

A glicose – açúcar encontrado nos alimentos – faz com que as células nervosas que nos mantêm alerta parem de produzir sinais para deixar as pessoas acordadas.

O estudo, publicado na revista científica Neuron, pode ajudar no tratamento da obesidade e de outros problemas alimentares, além de auxiliar na compreensão dos níveis de consciência.

Alerta

A equipe de pesquisadores observou como a glicose regula o quanto as pessoas se sentem alerta ou energéticas.

O corpo humano tem um mecanismo próprio pelo qual a química cerebral cria um estado de alerta quando o corpo necessita de energia.

Mas quando a fome é saciada, essa química muda de lado.

O estudo se concentrou em células nervosas no cérebro que produzem pequenas proteínas chamadas orexinas.

Já se sabia que a glicose afetava essas células, que além promoverem o estado de alerta também podem levar a desordens alimentares e à obesidade quando apresentam falhas.

Mas não se sabia até agora como elas eram afetadas.

No estudo, os pesquisadores modificaram geneticamente camundongos para produzir uma proteína fluorescente nos neurônios de orexina, de forma que testes de laboratório após a morte pudessem mostrar como eles haviam se comportado em relação a pequenas mudanças nos níveis de glicose que ocorrem nos ciclos diários normais.

Os cientistas descobriram que a glicose age sobre mecanismos que afetam o controle o fluxo de potássio, que provê energia às células.

O resultado é uma inibição do comportamento dos neurônios de orexina.

"Identificamos o poro na membrana das células produtoras de orexina que é responsável pelo efeito inibidor da glicose", disse o pesquisador-chefe Denis Burdakov.

"Esse mecanismo antes desconhecido é tão sensível que pode detectar mudanças nos níveis de glicose que ocorrem em minutos - o tipo de mudança que ocorre entre as refeições, por exemplo."

"Isso pode também prover uma explicação para o cansaço após a refeição e para o por que é difícil dormir com fome", disse Burdakov.

Para ele, a pesquisa pode esclarecer por que "alguns de nossos amigos europeus gostam tanto de suas siestas".

 
 
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