BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 09 de outubro, 2006 - 21h31 GMT (18h31 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
'Alckmin teria mais dificuldade para governar', diz brasilianista
 

 
 
Alckmin e Lula
Eleições brasileiras foram tema de conferência em Londres
O brasilianista Timothy Power, do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford, acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria mais facilidade em conseguir apoio no Congresso, se reeleito, que seu adversário, Geraldo Alckmin.

Power afirma que importantes lideranças do partido que faria a diferença numa coalizão governista, o PMDB, vêm apoiando o presidente Lula nos últimos anos e provavelmente continuariam a fazê-lo.

Para o pesquisador, caso Alckmin vença as eleições no fim de outubro, a situação política voltará ao que era durante o governo Fernando Henrique Cardoso, em que havia um PMDB governista e um PMDB de oposição.

"Acredito que se Alckmin chegar à presidência, há grandes chances de que ele tenha que buscar alianças com partidos menores, como o PP e o PL. Não é que seja impossível ele conseguir maioria no Congresso, mas é mais difícil", afirma Power.

Timothy Power participou de um debate sobre o futuro político e econômico do Brasil, na Chatham House, em Londres, nesta segunda-feira.

Todos os palestrantes evitaram fazer uma aposta em quem seria eleito o próximo presidente do país.

"Se eu jogasse uma moeda pro alto, teria tantas chances de acertar quanto qualquer outro", afirmou o pesquisador Anthony Pereira, da Universidade de East Anglia.

Bolsa-família e populismo

Tanto Power quanto Pereira sublinharam a importância do programa bolsa-família para o aumento da popularidade do presidente Lula nas regiões mais pobres do país.

Power chamou atenção ainda para a rápida expansão do programa na segunda metade do governo Lula. Segundo ele, enquanto em 2004 o percentual de famílias elegíveis atendidas pelo bolsa-família era de 59%. Em 2005, este número teria subido para 77%, chegando a quase 100% em 2006.

"O bolsa-família foi um fator fundamental não só por melhorar a imagem de Lula, mas também por ter aumentado o comparecimento às urnas em regiões como o Nordeste, além de ter diminuído o numero de votos inválidos", diz Power.

Para Anthony Pereira, Lula é criticado por ser populista e "comprar votos" com o bolsa-família, enquanto muitos defendem que a classe média esclarecida está mais preocupada com os escândalos de corrupção, mas ele discorda destas afirmações.

"Essa dicotomia é equivocada. Todos, inclusive a classe média, pensam nas vantagens econômicas que terão votando em um candidato ou em outro. Não vejo Lula como um populista."

Power concorda que o presidente não é um populista, mas afirma que ele "está cada vez menos relutante em atuar como um".

Para o pesquisador, caso chegue ao segundo mandato, Lula vai se preocupar mais em gerenciar seus programas sociais, sem ter uma agenda política clara.

O brasilianista frisa ainda que há uma dissociação entre o PT e o presidente.

"O voto no Lula não é mais o voto no PT. O partido conduziu bem a situação depois dos escândalos de corrupção, mas perdeu muitas lideranças importantes e ficou afastado da imagem do presidente. A questão agora é encontrar novos líderes petistas. Acho que a grande estrela no momento é Jacques Wagner", diz Power.

Economia

O professor Ed Amann, da Universidade de Manchester, se concentrou nos aspectos econômicos no Brasil.

Ele considera a que o país "teve uma performance respeitável, mas não espetacular" nos últimos anos e afirma que o desafio para o Brasil é conseguir melhorar consideravelmente o crescimento do PIB (produto interno bruto).

"A questão central para a economia brasileira é se o país vai se acomodar com os altos preços das commodities no mercado internacional ou se vai usar o ambiente favorável para investir nas indústrias e serviços do futuro para conseguir esse crescimento", diz Amann.

"Minha maior preocupação é que quem quer que ganhe as eleições ignore esse assunto."

Outra questão a ser enfrentada pelo Brasil, segundo Amann, é a melhoria da competitividade.

"O país tem que se tornar mais atraente para negócios sem que os avanços sociais sejam ameaçados."

Ed Amann acredita que, para a economia, não há uma grande diferença entre os candidatos, apesar de achar que o investidor estrangeiro vê Geraldo Alckmin com bons olhos.

"O mercado pode preferir Alckmin não só por ele ser mais voltado para a liberalização do mercado, mas por ele ser visto como um par de mãos limpas, enquanto Lula está cercado de escândalos."

 
 
Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações ExterioresPolítica externa
Historiador lamenta falta de debate sobre o tema na campanha.
 
 
Eleições 2006
Especial apresenta notícias, comentários e entrevistas.
 
 
Blog da Eleição
A campanha no olhar da BBC Brasil; deixe o seu comentário.
 
 
Brasil 2010Brasil 2010
Série de entrevistas discute prioridades para novo governo.
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade