BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 28 de março, 2007 - 11h59 GMT (08h59 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
Imigração já levou mais africanos aos EUA que escravidão
 

 
 
Crianças africanas em escola de Nova York (Foto: New York Public Library)
Cerca de 5 mil crianças africanas vão à escola em Nova York (Foto: NY Public Library)
Em apenas 40 anos, mais negros africanos entraram nos Estados Unidos que durante 260 anos em que vigorou o tráfico negreiro, segundo um estudo do Centro Schomburg para Pesquisas em Cultura Negra, da Biblioteca Pública de Nova York.

A "nova diáspora africana", nas palavras da pesquisadora do centro Sylviane Diouf, autora de um estudo sobre o tema, é posta em marcha pela imigração, não mais por navios negreiros.

Entre 1600 e 1860, ano em que se registrou a chegada do último carregamento de escravos, esse comércio transatlântico envolveu 500 mil homens, mulheres e crianças africanos - um fluxo relativamente baixo, considerando que cerca de 12 milhões aportaram nas Américas ou na Europa durante o período colonial.

As recentes ondas migratórias fizeram o panorama mudar nos Estados Unidos: segundo o último censo, de 2000, cerca de 700 mil africanos vivem no país. Metade deles entrou a partir da década de 1990, indicou o estudo.

Até 1965, a imigração de não-brancos era fortemente restrita por lei, segundo o estudo do centro Schomburg. Muito poucos imigrantes da África subsaariana, por exemplo, foram admitidos no país antes do chamado Immigration Act de 1965.

Nova cara

A cara da nova leva de africanos, no entanto, poderia ser a de um pós-graduando, um médico, ou até um prêmio Nobel, como o nigeriano Wole Soyinka, que venceu na categoria Literatura em 1986.

Soyinka, cujas peças, romances e poesias são ensinadas em diversas instituições dos Estados Unidos, deu aulas na Universidade de Emory, em Atlanta.

Segundo os números do Centro Schomburg, mais de 1,8 mil acadêmicos da África subsaariana conduzem estudos em universidades americanas. A maioria vem de países de língua inglesa, mas 14% são de países francófonos, como camaroneses, senegaleses e marfinenses.

FUGA DE CÉREBROS - Pessoas
1960-75 – 27 mil
1975-84 – 49 mil
1985-90 – 60 mil
1990-06 – 20 mil/ano
Fonte: ONU e OIM

Em seu estudo, Sylviane Diouf afirma que a "principal característica" dos africanos que imigraram para os Estados Unidos na última geração é que "eles são o grupo mais qualificado da nação".

Metade tem pelo menos diploma de nível superior. Nada menos que 98% concluíram a educação secundária.

O estudo alerta, no entanto, que este fenômeno tem seu lado nebuloso do outro do Atlântico: a chamada fuga de cérebros, ou a perda de capital humano por países cujos cidadãos emigram em massa.

'Brain drain'

Desde os anos 1990, cerca de 20 mil intelectuais africanos deixam o continente anualmente para viver nas regiões mais desenvolvidas do globo, estimam a ONU e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Três de cada cinco médicos formados em Gana durante os anos 1980 deixaram o país, assim como metade dos assistentes sociais formados no Zimbábue, segundo as estimativas.

Os dados levantam a discussão de quem paga a conta pela formação desses profissionais. A própria ONU afirma que a idéia de compensações é bem recebida entre os países ricos.

As saídas sugeridas incluem mecanismos de ajuda financeira e cooperação educacional para que países menos desenvolvidos não tenham de arcar com os custos, e os ricos, com o benefício.

O especialista em migrações Marcelo Suárez-Orozco, da Universidade de Nova York, destaca uma outra dinâmica importante nas migrações africanas para os Estados Unidos.

Embora a primeira geração de africanos que chega ao país seja extremamente bem-sucedida, as gerações subseqüentes já nascem sob a acentuada tensão racial da sociedade local.

Criança africana com parente em Nova York (Foto: New York Public Library)
 Há um paradoxo na assimilação dos imigrantes africanos. A primeira geração normalmente mais bem-sucedida que a segunda ou a terceira.
 
Marcelo Suárez-Orozco, especialista

"Há um paradoxo na assimilação destes imigrantes", avalia o professor Suárez-Orozco. "A primeira geração de imigrantes, que está mais vulnerável e tem de ficar mais atenta para seguir as regras, é mais bem-sucedida que a segunda ou a terceira."

Assimilação

Há, no entanto, exemplos de que esta regra não é estática. O mais recente é o do senador Barack Obama, pré-candidato democrata à Casa Branca.

Filho de pai queniano – também chamado Barack – e mãe americana, ele foi o quinto afro-americano a ocupar uma cadeira no Senado. Os dois Barack estudaram em Harvard.

Em uma convenção democrata em 2004, o atual pré-candidato agradeceu "a diversidade de minha herança", e disse estar "ciente de que os sonhos dos meus pais permanecem vivos em minhas preciosas filhas".

Hoje, cerca de 35 milhões de cidadãos se consideram afro-americanos.

 
 
O responsável pelo Programa Internacional de Combate ao Trabalho Escravo da OIT, Roger Plant (Foto: Antonio Cruz/ABr)Relatório
Brasil libertou 17 mil escravos em dez anos, diz OIT.
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade