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Atualizado às: 15 de agosto, 2007 - 23h09 GMT (20h09 Brasília)
 
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Impacto de usinas na biodiversidade do Madeira é imprevisível, diz biólogo
 

 
 
Inseto homóptero. Foto: Pedro Lage Viana/Geoma/Divulgação
Inseto achado na região entre rios Purus e Madeira. Foto: Pedro Lage Viana/Geoma/Divulgação
O cientista Mario Cohn-Haft, que recentemente liderou uma expedição que descobriu espécies diferentes de animais e plantas na região próxima ao rio Madeira, na Amazônia, disse que o impacto da construção de usinas no rio é "imprevisível".

Em abril e julho deste ano, Mario Cohn-Haft, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), encontrou variedades diferentes de animais e plantas na região entre os rios Purus e Madeira.

No mês passado, o governo federal aprovou as licenças prévias para a construção de duas usinas no rio Madeira.

As usinas de Santo Antônio e Jirau – cujos editais estão em fase de elaboração – gerariam 6,5 mil megawatts, o equivalente a metade da potência de Itaipu, uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo em potência.

Rio barrento

Cohn-Haft explica que a região onde foram encontradas novas espécies não será diretamente afetada, pois está fora da área que será inundada para a construção das barragens.

Mas o impacto indireto das barragens pode ser grande o suficiente para afetar a biodiversidade local.

"O impacto de barragens em um rio com teor sedimentar muito grande como o Madeira é imprevisível. Nós não temos precedentes para saber", disse o biólogo à BBC Brasil.

"O rio Madeira é o quarto maior e um dos mais barrentos do mundo. Então, colocar barragem em um rio como esses e dizer que nós sabemos o que vai acontecer é muita ousadia."

Cohn-Haft diz que até mesmo o rio Amazonas pode ser afetado pelas barragens.

"Se isso causar uma diminuição no teor sedimentar do rio, isso pode impactar a fertilidade e a produtividade da várzea todinha. Então se você faz isso no alto do rio Madeira, impacta o sistema biológico do resto do rio inteiro, e o próprio rio Amazonas, ao qual o Madeira é o maior contribuinte de sedimentos."

O cientista também afirma que a colonização e o aumento no número de habitantes na região também podem ter impacto no local.

"Uma vez que você tem grandes projetos que estão empregando gente, atraindo gente de outras partes do país, encorajando investimento, agricultura, agropecuária, rapidinho a área toda é colonizada, é desmatada, é convertida permanentemente."

 
 
Inseto homóptero. Foto: Pedro Lage Viana/Geoma/DivulgaçãoAmazônia
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