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Atualizado às: 28 de janeiro, 2008 - 10h48 GMT (08h48 Brasília)
 
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Coma e enriqueça
 
Ivan Lessa
O governo britânico se dispõe de qualquer forma a vencer a batalha contra a obesidade dos cidadãos destas ilhas. O governo britânico vê longe e registra os mínimos (querem acabar com a magreza também) detalhes. Direitinho feito com as lendárias “Armas de Destruição em Massa” do Iraque. Juntamente com os norte-americanos, os militares britânicos estão procurando. São persistentes. Acharão.

No momento, já que a batalha do Iraque, para todos os efeitos, foi há muito vencida, a grande preocupação, além do aquecimento global, é o número excessivo de adultos e crianças obesas.

Eles vão acabar com isso. Ou pelo menos tentar. Uma vez que há o perigo, segundo os técnicos em gorduras e obesidades, de lá por volta do ano 2050, quando estivermos todos suando em bicas de tanto calor (e emagrecendo portanto, quero crer. Verdade?), o número de obesos chegar a ser por volta de 2/3 da população adulta, e 1/3 da petizada.

O inglês magro acabou. Foi-se com o chá das cinco e os chapéus coco. Sempre em 2050, nutricionistas de escol calculam que nove em cada dez adultos pesarão mais do que deveriam. Fizeram o cálculo na ponta do lápis e com dois pés numa balança: a obesidade custa hoje ao sistema nacional de saúde pública perto de 2 bilhões de dólares por ano. Os gordos, além de contrariarem as convenções da nova estética, são chatos e saem caro. Embora divertidos para quem os vê. Isso, no entanto, não conta ponto com a burocracia.

Que fazer?

Sim, que fazer? Como na célebre pergunta (era retórica) feita por Lenin. Muito simples. Pagar para esses gulosos pararem com essa comilança toda.

Há uma estratégia bolada pela secretaria de Saúde, liderada por Alan Johnson (1m74 de altura, 76 quilos), a que se deu o nome de “Peso saudável, vidas saudáveis”. Segundo essa bandeira, batalha e slogan, há provas, vindas dos Estados Unidos da América do Norte (é, aquele mesmo pessoal das “Armas de Destruição em Massa”), de que pequenas quantias adiantadas a um grande número de obesos produz resultados sensacionais.

Não tem mais esse ou aquele outro regime ou dieta na lista dos livros mais vendidos. É tutu (no sentido figurado) batido na frente desses gordotes todos. Além de dinheiro como incentivo, haverá farta distribuição de tíquetes-refeição.

Também se cogita em promover uma dieta saudável, já que o povão britânico, como é humano, só gosta de besteira, feito a gente. Eles aqui têm seu equivalente à nossa feijoada, vatapá, caruru (oi!) e goiabada com queijo. Só que chamam de bacon, beans e fried eggs. Por aí.

Tem mais

Não é para aqueles com mais de 100 quilos, ou cercanias, ficarem parados na fila para receber seus cobres. Absolutamente. Junto a uma verba anual por volta dos 750 milhões de dólares (moeda que pode ter perdido o peso mas nunca o charme), o governo vai encorajar a turma da pesada (aqueles que não passaram no exame da balança) a fazer mais exercício.

Não se falou em ir servir no Iraque. Só iriam atrapalhar o trabalho de busca das “Armas de Destruição em Massa” (ói elas aí de novo). Cogita-se – e governo ama esse verbo – em incentivá-los levando-os à prática de outros exercícios físicos que não o empunhar de garfo, faca e copo de cerveja.

Cidades inteiras, assim como acontecia com as “Misses”, ganharão a faixa de “Cidade Saudável”. Nelas, a atividade física, qualquer atividade física, será encorajada, além de, evidentemente, paga. Todo mundo pra cima e pra baixo, correndo, pulando, dizendo e fazendo besteira, mas nunca, nunca comendo besteira. Gudibái ovos, feijão branco de forno e bacon.

Tem mais

A secretaria, ou ministério, da Saúde prevê severas medidas contra as indústrias alimentícias que não forem claríssimas em seus rótulos. Terão de explicar o conteúdo tintim por tintim. Severas medidas, no caso, constituirão olhares de reprovação. Depois um aperto de mão, tal e qual sucede nas canções populares. E com todo mundo que paga imposto alto e, ora, gordo.

Conclusão

No Brasil, um esquema semelhante seria bem-vindo. Com uma diferença apenas: dar uma de Robin Hood, tirando gordura dos ricos e distribuindo entre os pobres. Os detalhes da operação (uma espécie de transplante de “lipos”) ainda estão em estudo nos meios da cirurgia plástica estetizante.

 
 
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