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Atualizado às: 21 de fevereiro, 2008 - 11h00 GMT (09h00 Brasília)
 
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Sal estimula obesidade em crianças, diz pesquisa
 
Criança obesa
Uma em cada cinco crianças está acima do peso na Grã-Bretanha
Dietas ricas em sal podem ser a chave para explicar a obesidade em algumas crianças, segundo uma pesquisa da Universidade de Londres divulgada na revista especializada Hypertension.

Em um estudo com dados de 1.600 crianças, os pesquisadores concluíram que aquelas que têm uma dieta alta em sal têm tendência a beber mais líquido, inclusive refrigerantes e refrescos adoçados com açúcar.

Segundo os cientistas, ao cortar pela metade o consumo diário médio de sal de 6 gramas por dia, as crianças estariam cortando 250 calorias de sua dieta semanal.

Os pesquisadores pediram à indústria que reduza a quantidade de sal dos alimentos.

Uma em cada cinco crianças na Grã-Bretanha está acima do peso e teme-se que isso contribua para o aumento da tendência de obesidade, doenças cardíacas e derrames na fase adulta.

Consumir produtos ricos em sal tende a provocar sede nas pessoas e estudos anteriores já demonstraram que, em adultos, uma dieta rica em sal aumenta o consumo de refrigerantes e refrescos adoçados.

Este é o primeiro estudo a identificar o mesmo efeito em crianças.

Primeiro entre as crianças

A equipe do hospital universitário St George’s avaliou dados da Pesquisa Nacional de Dieta e Nutrição conduzida em 1997 e usou uma amostra de 1.600 crianças, entre quatro e 18 anos de idade, que tiveram o consumo diário de sal e líquidos medidos com precisão.

A equipe concluiu que as crianças que comiam menos sal bebiam menos líquidos, e estimou que o corte de um grama de sal da dieta diária equivale à redução de 100 gramas no consumo diário de líquidos.

Aproximadamente um quarto dessas 100 gramas corresponderia à bebidas adoçadas, segundo previsão dos cientistas.

Os pesquisadores estimam que se as crianças cortarem o consumo diário de sal pela metade – uma redução média de três gramas por dia – haveria uma redução de cerca de dois copos de bebida adoçada por semana, por criança.

Isso, por sua vez, diminuiria o consumo semanal de calorias em quase 250 calorias.

Os pesquisadores aconselham os pais a checar a quantidade de sal na embalagem de alimentos infantis para encontrar formas de reduzir este consumo.

Segundo a equipe, reduções de 10% a 20% da quantidade de sal são imperceptíveis pelos receptores gustativos humanos.

Graham McGregor, um dos autores do estudo e presidente da Ação de Consenso sobre Sal e Saúde, disse que enquanto alguns fabricantes já agiram para reduzir os níveis de sal em pães e cereais – as principais fontes de sal para crianças – ainda há muito a ser feito pela indústria.

Segundo o médico, muitos dos alimentos processados destinados às crianças são salgados em nome do sabor.

“O nível de sal desses produtos chega a quase o mesmo nível que a água do mar.”

Pedido de rótulo

Myron Weinberger, do Centro Médico da Universidade de Indiana disse que a redução do consumo de sal e bebidas açucaradas entre as crianças, combinados ao aumento das atividades físicas, poderiam ajudar a diminuir “a calamidade da doença cardiovascular” na sociedade ocidental.

Um porta-voz da British Heart Foundation disse que a melhor rotulagem de alimentos ajudaria os pais a escolher alimentos mais saudáveis para suas famílias.

“Quando as crianças consomem alimentos salgados regularmente com bebidas adoçadas e calóricas, isso pode representar problemas duplos para o futuro da saúde de seus corações.”

“Esse relatório é mais uma prova de que as crianças têm que receber apoio para fazer escolhas saudáveis em termos de alimentos e evitar serem obesas ou aumentar sua pressão sangüínea.”

 
 
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