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Atualizado às: 28 de março, 2008 - 09h37 GMT (06h37 Brasília)
 
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O cometa Carla
 

 
 
Ivan Lessa
Esteve de passagem por Londres, acompanhada do marido, que se diz presidente da França, a magnífica primeira-dama da canção francesa e americana, de que é intérprete e compositora, além de ser também ex-supermodel, Carla Bruni.

A belíssima senhora em questão tem 40 anos, pois nasceu em 23 de dezembro de 1967, em Turim, na Itália, e, na pia batismal, ganhou o nome de Carla Gilberta Bruni Tedeschi, que, em si só, já constitui um decassílabo admirável. Carla é herdeira de Virginio Bruni Tedeschi, que, nos anos 20, fundou a CEAT, importante companhia italiana fabricante de pneus.

Alberto Bruno Tedeschi, seu pai e padrasto (sim, dá para acumular as duas funções), vendeu-a (a companhia e não a Carla) para a Pirelli, embora o nome CEAT continue subsistindo na Índia, onde, em 1958, foi fundada uma filial.

Na vertiginosa década de 70, em 1973, para ser preciso, a família mudou-se de armas, bagagens e o que deu para carregar de pneu, para a França, supostamente a fim de escapar às ameaças de sequestro feitas pelas Brigadas Vermelhas, um grupo terrorista, que se dizia marxista-leninista, agindo com som e fúria por toda a Itália.

Douce France

Carla, portanto, a partir dos cincos anos, teve a França, berço de Molière e Johnny Halliday, como país e pano de fundo para sua infância, juventude e maturidade. Não se pode contar a Suíça como grande influência sobre sua personalidade e seus dotes físicos e artísticos, já que no país do relógio cuco passou uns poucos anos em colégio interno.

Aos 19 anos, Carla voltou para Paris com o fito de estudar arte e arquitetura. Quis o destino porém que ela, então, antes de completar 20 aninhos, passasse a ser modelo em tempo integral.

Cumpre abrir um parágrafo para dedicar algumas linhas à senhora sua mãe, Marysa Borini, que foi uma brilhante concertista, muito conceituada entre a crítica especializada. Seu pai, ou padrasto, se preferirem, o industrial e compositor clássico, Alberto Bruni Tedeschi, também é um nome dos mais respeitáveis nos meios artísticos.

Aliás, a família esbanja talento. Valeria Bruni Tedeschi, sua irmã, é muito respeitada como atriz e diretora de cinema. Um irmão, Virginio Bruno Tedeschi, nascido em 1959, também prometia, até que uma tragédia o roubou de nossa companhia no fatídico dia 4 de julho de 2006.

A conexão brasileira

O pai biológico de Carla chama-se Maurizio Remmert. Trata-se de um homem de negócios dos mais sérios que vive atualmente no Brasil, onde mantém uma dignidade admirável diante do assédio da imprensa e curiosos de uma forma geral.

Maurizio Remmert faz jus a nossa admiração. Não iremos além para não violar seu sagrado direito à privacidade. De longe, nós o admiramos.

Uma carreira meteórica

Carla Bruni logo assinou contrato de exclusividade com a City Models, onde sua carreira teve início. Entre seus trabalhos mais citados estão as fotos em que posou para campanhas publicitárias dos estilistas Estelle Lefébure, Christian Dior, Paco Rabanne, Sonia Rykel, Christian Lacroix, Karl Lagerfeld, John Galliano, Yves Sanit-Laurent, Chanel, Versace e, por incrível que pareça, muitos outros.

Por volta dos anos 90, Carla estava entre as 20 modelos mais bem pagas do mundo, faturando cerca US$ 7,5 milhões por ano. Carla foi vista então na companhia da gente fascinante do mundo que os brasileiros, com toda razão, chamam de show business: não lhe eram estranhos Eric Clapton, Mick Jagger, o ex-primeiro-ministro francês Laurent Fabius, além do industrial norte-americano Donald Trump. Preferimos passar por cima de outros nomes.

Um salto no escuro

De súbito, com o mundo a seus pés, em 1997, Carla Bruni surpreende a todos do show biz (outro brasileirismo) e passa a se dedicar exclusivamente à música. Tem algumas aulas de violão, compõe, envia suas letras para o cantor e compositor Julien Clerc, um cantor e compositor de renome, que, no ano 2000, lança seu álbum Si j´etais jolie, onde interpreta sete faixas da lavra de Carla.

Dois anos depois, em 2002, Carla Bruni estréia como intérprete no mundo fonográfico digital com seu CD, Quelqu´un m´a dit, produzido pelo seu então “namorado”, Louis Bertignac. A bolacha prateada foi o maior sucesso na Europa e em diversos países francófonos.

De gravação em gravação, Carla continuou a galgar os degraus da fama e do sucesso. Chegou a gravar, em 2006, em inglês, a canção original do falecido e cultuado cantor e compositor Serge Gainsbourg, Ces petits riens, que ganhou o bem bolado título de Those little things, cujo clip desfrutou de muita popularidade nestes últimos dias, tanto na TV britânica quanto nos sites especializados da Net.

Seu segundo álbum cruzou, com ousadia e talento, a vasta fronteira entre o popular e o culto. Levou o nome, sempre em inglês, de No promises, e, nele, musicados, encontramos poemas de Yeats, Emily Dickinson, W.H. Auden, Dorothy Parker, Walter de la Mare e Christina Rossetti. O CD foi lançado em janeiro de 2007.

No outono deste ano, teremos o terceiro álbum de Carla Bruni, aquela que, conforme diz o vulgo, não só canta mas também encanta.

Uma frase de Carla

Disse ela para a revista Time americana, em sua edição de 31 de dezembro do ano passado: “Sou monógama de vez em quando, mas prefiro a poligamia e a poliandria.”

Quem parte…

… deixa saudades. Pois foi o que Carla deixou nessas suas 48 horas de Inglaterra, onde se avistou, entre outros, com a Rainha Elizabeth e o primeiro-ministro Gordon Brown.

Carla Bruni proibiu o marido, chegado a um bling (é gíria anglófona para jóias vistosas), de viajar com mais de um Rolex e só permitiu que trouxesse dois pares de óculos Ray-Ban. Carla Bruni prima pelo bom gosto e discrição, que esta última qualidade vem com o tempo.

No pouco contato que teve com a imprensa, Carla Bruni brilhou com suas palavras incisivas porém graciosas, num inglês de delicioso sotaque gálico. Numa coletiva, o marido, monoglota, tentou o idioma de Heather Mills.

Disse ele: “Uis dum zi criu nov lomêi, ya?” Que ninguém entendeu nem se importou em entender, uma vez que, poucos minutos antes, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ensaiando seu francês, gentilmente observou: “Onv err lompê du crampe in latoufe dan poum.”

A visita de Estado de Carla Bruni foi uma das mais espetaculares dos últimos anos, garantem aqueles que entendem do riscado.

 
 
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