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Atualizado às: 11 de maio, 2008 - 09h44 GMT (06h44 Brasília)
 
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Reserva-modelo sofre com falta de recursos no Amazonas
 

 
 
Desmatamento na Amazônia (foto de arquivo)
Fiscalização precária mostra tamanho do desafio para proteger Amazônia
Na entrada da reserva de Uatumã, no Estado do Amazonas, Olavo dos Santos Lima é o homem responsável por dizer que embarcações podem ou não entrar. Ele é um dos três agentes ambientais contratados pela secretária do Meio Ambiente estadual para tomar conta da região.

Olavo mora de frente para o rio, bem perto da recém-inaugurada base de administração do parque. A “entrada” do parque que está sob sua responsabilidade é na verdade o largo rio Uatumã, um afluente do Amazonas.

“A gente tem esta voadora para fiscalizar”, conta ele, apontando para uma pequena lancha a motor que fica parada em frente à base da reserva. “Quando vem uma embarcação desconhecida, a gente pára para perguntar o que eles estão fazendo e se têm autorização.”

Mas quando questionado qual o poder que ele tem para realmente evitar que embarcações entrem na reserva, Olavo abre um sorriso que mostra apenas dois dentes e diz: “Se os caras quiserem mesmo entrar, não tem jeito, eu estou sozinho”.

Reserva-modelo

Olavo e a reserva são exemplos do quão distante e difícil ainda é o controle sobre a floresta na Amazônia. O projeto da reserva de Uatumã, criada em 2004, é apresentado como um modelo pelo governo do Estado. O local foi escolhido como o primeiro para a implementação do projeto Bolsa Floresta, que promete investir nas comunidades ribeirinhas e dar R$ 50,00 para cada família que preserve a floresta.

Essa é a primeira de sete reservas escolhidas para a fase inicial do programa, lançado em setembro de 2007, e já ganhou uma sede, cadastros e o pagamento da ajuda para uma parcela das 280 famílias que moram nela.

Apesar de tudo isso, e de ser próxima a Manaus (cinco horas de carro e barco), Uatumã não tem fiscais florestais com autoridade para multar infrações nem posto policial. Quando ocorre qualquer problema que exija intervenção, como a descoberta de grandes embarcações pescando ilegalmente ou forasteiros realizando desmatamento, a única alternativa para os agentes da reserva é pedir ajuda ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipam) ou da polícia das cidades mais próximas.

O problema, dizem membros de comunidades na reserva, é que muitas vezes a fiscalização pode levar 48 horas para chegar ou mesmo não aparecer.

“A polícia de Itapiranga ou de São Sebastião do Uatumã não tem barco próprio e se eles têm que vir à reserva porque pedimos a gente tem que pagar o combustível”, conta um membro da comunidade local.

Falta de dinheiro

O administrador da reserva, Rudnney Santana, admite que um dos problemas na região é a falta de recursos para fiscalizar e combater infrações. “É uma área grande e é muito difícil o trabalho, mas a situação está melhorando muito desde a criação da reserva”, afirma ele. “Antes a situação era muito pior.”

Vários ribeirinhos concordam que a reserva e o Bolsa Floresta já geraram benefícios para as famílias que moram nos seus limites, embora vários também digam que a vida no local ainda é dura e que falta infra-estrutura básica.

“Nos últimos anos tem tido bem mais peixe no rio. Antes já estava ficando difícil de achar”, diz o ribeirinho Osimar Bruno de Carvalho, que vive isolado com a família em uma das áreas próximas ao rio Uatumã. Sua casa de pau-a-pique é extremamente simples e pobre e a escola mais próxima fica a pelo menos uma hora de barco dali.

O governo do Estado afirma que a situação está mudando e que no caso desta reserva novas fases do projeto Bolsa Floresta vão entrar em funcionamento assim que o cadastramento das famílias estiver finalizado.

“O programa inclui o pagamento de uma verba de R$ 4 mil por comunidade para apoiar iniciativas que criem fontes de renda sustentáveis, além de uma segunda verba de R$ 8 mil por comunidade para investir na infra-estrutura social”, afirma Virgílio Viana, um dos idealizadores do projeto e ex-secretário do Meio Ambiente do governo do Amazonas.

As comunidades também estão esperando dinheiro de um programa federal de fomento que deve fornecer R$ 9,4 mil para famílias cadastradas. A idéia é construir novas casas e comprar instrumentos de trabalho.

Uma visita a Uatumã deixa claro, porém, que se mesmo uma reserva como esta ainda sofre com problemas ambientais e sociais, o desafio para proteger grandes áreas da Amazônia é tão grande quanto a própria floresta.

 
 
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