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Atualizado às: 27 de junho, 2008 - 08h40 GMT (05h40 Brasília)
 
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Exclamativas!
 

 
 
Ivan Lessa
Impressionante! O ministro menestrel Gilberto Gil se encontra em viagem ministerial e menestraliana nos Estados Unidos da América do Norte! Foi o que li em mais de um jornal brasileiro!

Nosso “bom baiano” deverá não só se avistar como também se encontrar com o candidato do partido Democrata à presidência dos Estados Unidos da América do Norte, cavalheiro por nome de Barack Hussein Obama.

É de se esperar que o Sr. Gilberto Gil, na faustosa ocasião, de passagem, aproveite a oportunidade para, com a graça e aquele jeitinho doce e malemolente baiano de lidar com a vida - e os homens que dela e nela vivem -, encaixar uma preciosa informação para quem quer ser presidente dos Estados Unidos da América do Norte!

Ou seja, o país em questão, o formidável Estados Unidos da América do Norte, possui 50 estados e não 58. Chato, mas verdade! Iraque num conta! O senador Barack Obama, em pronunciamento já celebrizado em imprensa e clipes no YouTube, declarou, em Oregon, estar visitando o 57º Estado do país e que não iria ao Havaí ou Alasca por conselho de sua equipe!

Caso contrário, acrescentou jocoso o candidato, teria completado o percurso completo dos 58 estados dos Estados Unidos da América do Norte! Os Estados Unidos da América do Norte contam (e contam bem, contam certinho) com 50 Estados.

Eleição ganha com Estado fantasma, feito a de 2000, quando George W. Bush se fez presidente e líder da nação mais possante e encucada da terra, graças a uma série de ridicularias passadas no estado da Flórida! A Flórida, conforme a opinião de muita gente boa, inexiste! Com boa vontade, aspira à condição de estado de espírito!

De qualquer forma! Estados Unidos! Barack Obama! Número de estados! São 50 e não 58! Gilberto Gil sabe! Já fez até um baião a respeito! Um mundo sobressaltado e aritmetizado pede, exige e suplica! Explica pra ele, senhor ministro da Cultura, explica pra ele!

Turquia!

Mais triste do que torcer pela Turquia, em se não sendo turco, só mesmo torcer pela Alemanha, em se não sendo alemão! Numa hora deprimente dessas, aos diabos com a gramática!

Mas o pugilo de bravos, discípulos do imortal Kemal Ataturk, e que na noitinha de quarta-feira, dia 25, enfrentou galantemente (os turcos às vezes dão dessas) os robustos herdeiros de Herr Schickelgruber, merece nosso respeito em sua hora de desastrada derrota! Merece mesmo nossa admiração! Eu diria num acesso de irracionalidade!

Não sei não. Mas esse sol e essa soda limonada deixam a gente besta como o quê. Num mundo bisonho, exclamo como se incentivando meus irmãos de Humanidade a estufarem o véu da noiva adversária.

E quem não entender o que é uma noiva adversária, e como se estufa seu véu, por certo não viveu nem viverá jamais. Jamais! Para não perder o hábito de exclamar coisas comigo, com vocês, com meus botões! Prestem mais atenção!

Efeméride!

Na quinta-feira, dia 26 de junho, por volta das 10 e meia da manhã, num vagão de metrô da linha District, aquela verdinha, aqui em Londres. Eu presenciei com estes olhos, estes ouvidos, esta bocarra, este tronco e membros et cetera e tal, à cena que passarei a descrever. Incrível! Fantástico! Extraordinário! Altamente almirantável!

Na estação de Sloane Square, adentrou o compartimento uma jovem de seus 30 e poucos anos, branca, discretamente vestida, aspecto geral aceitável. Uma vez sentada, abriu a bolsa, tomou de um celular e, com a pontinha dos dedos, digitou um número qualquer. Seguiu-se o seguinte diálogo que eu, para facilitar e promover o bom entendimento entre as nações, legendo ou dublo:

“Ôi. Eu. Olha, eu acabo de pegar o metrô em Sloane Square. São 10 e 37. Então, por volta das 10 e 50, mais ou menos, eu devo estar aí. Tudo bem? Beijinho.”

E desligou. Só. Digo, e volto às exclamações que o caso absolutamente inédito merece: e desligou, repito! Só! Essa não! Aonde é que estamos?! Como é que pode?! Um telefonema celular feminino sucinto e objetivo!? Ou to the point, na linguagem telemóvel daqui?!

Como é que se referem, em português do Brasil, à espantosa ocorrência! Ainda estou tentando me recuperar do espanto! Meus sais! Qual! Este mundo está perdido! Ou nem tudo está perdido, nem tudo está perdido, como diria e repetiria (é o jeito deles) um otimista! Um otimista!

Wmbldn (ou wmm)!

Dois cidadãos britânicos trucidaram seus adversários no outrora prestigioso torneio morango com cremes, champanhe ou Pimm's! O desconhecidérrimo cidadão Chris Eaton, de 20 anos, e do condado de Surrey, na Inglaterra, está em último lugar no ranking mundial de tenistas: é o 661º numa lista de 661 praticantes do esporte que já foi bão!

Pois Chris deu uma surra de pau no sérvio Boris Pashanski, vencendo três sets seguidos: 6-3, 7-6 (8-6. É o tiebreak, num sabe?) e 6-4. Delírio nas gerais (Wmm num tem mais arquibancadas!)! Agora, a vitória britânica está garantida!

Logo depois que Andy Murray que, como previ, venceu o primeiro obstáculo e só aguarda a vezinha de se desmoronar logo mais adiante, para gáudio meu e de minha gata.

Mas tem mais! Tem mais razão para o inquebrantável ufanismo britânico! Mais, muito mais! E no setor “sexo frágil mas com cada bração que ó, vou te contá”! Inchai vossos peitaços, britânicos, inchai!

A cidadã razoavelmente britânica, rankada em primeiro lugar no setor feminino, Anne Keothavong, de 24 aninhos, em batalha épica deu de pau na norte-americana (país onde há 50 estados e não 58) Vania King por 4-6, 6-2 e 6-3!

Sabei, brasileiros, sabei! As moças, senhoras ou senhoritas, não precisam jogar cinco partidas, feito os marmanjos. “Wmm” ainda respeita certas convenções! Seus sócios, por exemplo, cedem o lugar para jovens portadoras ou não de celulares nos meios de transporte e tiram os chapéus Panamá quando uma delas entra no elevador! Nem tudo está perdido!

Sim, sim, 98% a comercialização e a safarnagem levaram! Mas com os 2% que restaram, todos investidos em seu patrimônio histórico e sentimental, “Wmm” ainda atrai americanos (que vivem em 50 e não 58 estados) e turistas vários para sua quinzenada anual no bairro e modalidade esportiva em questão.

Sim! Mil vezes sim! Como dizem, sem pontuação ou exclamação alguma as Molly Blooms desta vida (aqui não vai ponto, vírgula, reticências, exclamação, interrogação, nada. Sejamos docemente joyceanos em homenagem ao blumdia de 16 de junho que passou em brancas, ou no caso, escuras, nuvens! Aí, sim! Exclamação neles, exclamação nelas, exclamação em quem estiver dando sopa!

 
 
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