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Atualizado às: 26 de setembro, 2008 - 17h23 GMT (14h23 Brasília)
 
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Praça em homenagem a líder das Farc cria polêmica em Caracas
 

 
 
Manuel Marulanda (foto de arquivo)
Homenagem a Marulanda não foi bem vista por Bogotá
A inauguração na tarde desta sexta-feira de uma praça em Caracas em homenagem a Manuel Marulanda, líder e fundador das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) morto há seis meses, é marcada pela polêmica.

Um busto do guerrilheiro, obra de um artista dominicano, e a praça que foi construída em apenas duas semanas estão localizados no bairro periférico 23 de Enero, bastião histórico da esquerda venezuelana e, há dez anos, do governo liderado pelo presidente Hugo Chávez.

"É uma pequena praça, não é uma grande obra, mas é simbólico porque foi construída com trabalho comunitário voluntário", afirmou Carlos Casanueva, secretário-geral da Coordenadoria Continental Bolivariana (CCB), organização que agrupa organizações de esquerda na América Latina.

A homenagem a Marulanda, cuja atuação na luta armada colombiana divide opiniões na América Latina, não foi vista com bons olhos por Bogotá.

De acordo com o jornal colombiano El Tiempo, o governo de Álvaro Uribe teria pedido à Venezuela para "assumir uma posição clara" diante da homenagem.

Chávez, que há meses pediu às Farc que abandonassem a luta armada, cumpre nesta semana uma viagem internacional e só deve regressar à Caracas neste sábado.

Os organizadores do "tributo" a Marulanda negam qualquer participação do governo. "Isso não foi feito pelo governo venezuelano e não deveria criar complicações a nenhum Estado ou governo", afirmou Carlos Casanueva, da CCB.

Por meio de uma nota, a Comissão de Assuntos Exteriores do Senado colombiano afirmou que a homenagem "constitui uma apologia internacional ao delito" e "contraria todas as decisões das Nações Unidas e da Organização de Estados Americanos (OEA) na luta internacional contra o narcoterrorismo".

Agradecimento

O novo líder das Farc, Alfonso Cano, que substituiu Marulanda no comando da guerrilha, agradeceu a homenagem.

"Agradecemos às organizações políticas e sociais, à Coordenadoria Continental Bolivariana e ao povo irmão venezuelano por este enorme gesto", afirma Cano em um comunicado publicado na noite desta quinta-feira pela agência de notícias Anncol.

Além da inauguração da praça Marulanda, a CCB e o Partido Comunista da Venezuela organizaram uma semana de atividades para homenagear o líder guerrilheiro que incluiu o lançamento de um livro e a realização de um seminário que discute a "Vigência da luta armada na América Latina".

As atividades são "um apoio à luta revolucionária na Colômbia e um tributo aos milhares de assassinados, aos estudantes maltratados e aos milhões de despejados" na Colômbia, afirmou Zenaide Tahhan, membro da CCB.

Essa não é a primeira vez que Marulanda é lembrado pelos moradores do bairro 23 de Enero.

Nas ruas e estreitas vielas do bairro, a imagem do líder das Farc pode ser vista em pinturas de murais que só perdem, em destaque e tamanho, para dezenas de grafites dos líderes revolucionários Ernesto Che Guevara e Símon Bolívar.

Marulanda, de 80 anos, morreu em 26 março, devido a um ataque cardíaco, segundo as Farc. Ele era considerado o guerrilheiro mais velho do mundo e passou a maior parte de sua vida nas montanhas e selvas do país.

 
 
Alfonso Cano (foto de arquivo) Colômbia
Novo líder das Farc propõe diálogo com governo.
 
 
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