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Atualizado às: 15 de outubro, 2008 - 08h07 GMT (05h07 Brasília)
 
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Desigualdades de rendimento entre brancos e negros cai no Brasil
 
Desigualdades raciais no ensino infantil praticamente terminaram
As diferenças entre os rendimentos mensais entre negros e brancos diminuíram na última década, aponta o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, divulgado nesta quarta-feira pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo o estudo, em 2006, o rendimento mensal médio dos homens brancos era de R$ 1.164,00, valor 98,5% superior ao rendimento médio mensal de R$ 586,26 dos homens que se classificam como "pretos" e "pardos" entre as opções oferecidas pelo Censo do IBGE (as outras opções são "brancos", "amarelos" e "indigenas").

Apesar da grande diferença registrada, o número é inferior ao registrado em 1995, quando a diferença salarial média entre homens brancos e negros era de 120,1%.

O relatório também aponta uma diminuição nas desigualdades entre os rendimentos entre mulheres brancas e negras, que caiu de 107,8% para 91,9%.

Quando analisados dados de ambos os sexos, a assimetria entre os rendimentos médios mensais de brancos e negros caiu de 113,9% para 93,3% entre 1995 e 2006.

Mesmo com a diminuição das desigualdades nos rendimentos, segundo o estudo, brancos e negros brasileiros têm diferenças sociais que fazem com que eles vivam como se estivessem em países distintos.

Segundo o estudo, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, criado pela ONU para aferir a qualidade de vida das populações) de pretos e pardos no Brasil é de 0,753, comparável a países como o Irã e o Paraguai, que são considerados pela ONU como países de médio Desenvolvimento Humano.

Já os brancos brasileiros vivem em condições que correspondem a um IDH de 0,838, comparável ao de Cuba, considerado pelas Nações Unidas um país de alto Desenvolvimento Humano.

Atualmente, o Brasil como um todo tem um IDH de 0,800 e é considerado pela ONU um país de alto Desenvolvimento Humano. A escala do IDH vai de 0 a 1, sendo os países com índices mais próximos de 1 aqueles que possuem maior nível de desenvolvimento humano.

Educação

O estudo também aponta que entre 2002 e 2006 houve um aumento no contingente de pessoas que se declaram "pretas" ou "pardas" nas universidades brasileiras.

Houve no período um aumento de 31,4% de negros matriculados em universidades públicas e de 124,5% em instituições privadas.

No mesmo período, o número de brancos em universidades públicas cresceu 17,4% e em faculdades particulares 31,1%.

Apesar da melhora, em 2006, um em cada cinco brancos em idade esperada para ingressar no ensino superior estava matriculada em universidades, enquanto 93,7% dos pretos e pardos na mesma faixa etária estava fora do ensino superior.

A situação é melhor entre crianças entre sete e 14 anos de idade, onde as desigualdades raciais no ensino praticamente terminaram no período entre 1995 e 2006.

Nesta faixa de idade, a cobertura do sistema de ensino passou de 94,6% para 98,8%, no caso de crianças brancas, e de 88,2% para 97,7% no caso de crianças pretas ou pardas.

Tecnologia

Os brancos ainda são o grupo populacional que possui mais acesso a tecnologias como computador, acesso à internet e telefones celulares.

Em 2006, 30,8% dos domicílios cujo chefe de família era branco possuíam computadores, 24,3% tinham acesso à internet e 70,4% tinham telefones celulares.

Nos domicílios referenciados por brancos ou pardos, apenas 12,2% tinha computadores, 8,3% tinham acesso à internet e 55,8% tinham telefones celulares.

Violência

Os negros continuam sendo as maiores vítimas da violência no país e a situação chegou a piorar no período entre 1999 e 2005.

Neste período, o peso relativo de pretos ou pardos na população que morreu assassinada cresceu de 46% para 60,2%.

Entre 1999 e 2005, o número total de homicídios em todo o país passou de cerca de 40,8 mil por ano para cerca de 45,7 mil pessoas. O número de homicídios de pretos ou pardos cresceu cerca de 46,3%, enquanto entre os brancos este número ficou praticamente estável.

População

O relatório indica que no período entre 1995 e 2006, o peso relativo da população branca diminuiu. Em 1995, 55, 4% dos brasileiros se dizia branco, enquanto em 2006, 49,7% dizia ser desta cor.

Já o número dos que se declararam pretos ou pardos passou de 45% da população total para 49,5%.

Segundo a pesquisa, esta diferença se deve em grande parte à mudanças na forma como as pessoas declaram sua cor, além da redução nas assimetrias entre brancos e negros nos índices de fecundidade, mortalidade infantil e esperança de vida ao nascer.

Representatividade

Apesar disso, os negros continuam sub-representados no poder Legislativo federal.

No levantamento realizado pelos pesquisadores, entre os 513 deputados federais eleitos em 2006, havia apenas 11 de raça ou cor preta, sendo 10 homens e uma mulher.

Como pardos foram identificados 35, sendo 33 homens e duas mulheres. Em termos relativos, apenas 2,1% dos deputados eleitos eram pretos e 6,8% pardos. Juntos, os dois grupos representam 9% da Câmara.

No Senado a desigualdade é ainda maior. Em 2007, 76 dos 81 senadores (93,8%) eram brancos, enquanto somente quatro eram pardos e um preto, totalizando apenas 6,2% da casa.

O estudo trabalha com o sistema de auto-classificação usado nas "principais pesquisas e registros oficiais" brasileiros, "no qual o próprio entrevistado se identifica dentro de um grupo fechado de opções": branco, preto, pardo, amarelo e indígena. Mas analisa os dados de "pretos" e "pardos" em conjunto, dentro da categoria "negros".

 
 
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