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Atualizado às: 07 de novembro, 2008 - 07h49 GMT (05h49 Brasília)
 
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Eleição de Obama divide exportadores brasileiros
 

 
 
Exportação (arquivo)
Alguns exportadores temem protecionismo de novo governo
A eleição de Barack Obama divide opiniões entre os principais exportadores brasileiros para os Estados Unidos.

De um lado, os mais pessimistas mencionam um Congresso de maioria democrata e, em tese, mais protecionista.

Já os mais esperançosos acreditam que o perfil conciliador e de homem das “grandes causas”, conferido a Barack Obama, poderá abrir espaço para a diplomacia comercial brasileira.

Na ala dos mais céticos está a Confederação Nacional de Agricultura (CNA). “Obama pode ser a grande solução para muitas coisas, mas não é para o comércio”, diz Gilman Rodrigues, presidente da comissão de assuntos internacionais da entidade.

Ele diz que o protecionismo americano – seja ele por meio de barreiras sanitárias ou tarifárias – é baseado em uma legislação forte. “Um presidente não consegue mudar isso”.

Na opinião de Rodrigues, a chance de mudança não está em Obama, mas na crise. Segundo ele, caso haja necessidade de importar produtos mais baratos, para evitar inflação, pode ser que a classe política americana reveja alguns preceitos protecionistas.

“Não há vida fácil no comércio internacional. A relação é sempre draconiana”, diz Rodrigues, referindo-se às disputas para abertura de mercados. “Quanto a isso, não há sinal de mudança”, diz.

Esperança

Já os fabricantes brasileiros de etanol, obrigados a pagar uma sobretaxa para desembarcar seu produto no mercado americano, estão mais otimistas.

O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, considera “simplista” a tese de que Obama estará alinhado aos produtores locais de milho e que, portanto, seja mais protecionista.

“Obama é muito favorável ao programa americano de energias renováveis. Ele já afirmou que dará prioridade às questões climáticas”, diz.

A expectativa, segundo Jank, é de que o assunto seja tratado no âmbito do meio ambiente, e não do comércio.

“É claro que, em algum momento, a sobretaxa terá de ser discutida. Mas o fundamental é que o assunto avance, primeiro, no aspecto climático”, diz.

Pelos cálculos da Unica, os exportadores brasileiros de etanol gastaram U$ 500 milhões nos últimos 10 anos, na forma de sobretaxa.

Jank diz que já houve algum avanço na negociação comercial entre os dois países, mas que “tanto o Brasil quanto os Estados Unidos poderiam ter feito mais”.

“Acredito que o assunto será tratado já no primeiro encontro entre o presidente Lula e o presidente Obama”, diz Jank.

Mutilateralismo

Os exportadores brasileiros de carne bovina estão há oito anos negociando a abertura do mercado americano para carne fresca, período que coincide com a gestão de George W. Bush.

Apesar do longo período de negociação, o setor se diz otimista. “Acreditamos que haverá avanço no âmbito das negociações multilaterais”, diz Luis Carlos de Oliveira, secretário-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec).

Apenas a carne brasileira industrializada pode entrar no país. Ainda assim, os Estados Unidos são o maior comprador desse tipo de produto do Brasil. De janeiro a setembro, foram US$ 180 milhões em exportações.

Segundo Oliveira, o discurso mais conciliador de Barack Obama, com sinais de que haverá esforços em ampliar o diálogo com outros países, traz esperança de que a mesma linha seja adotada em âmbito comercial.

Doha

Essa também é a esperança do governo brasileiro, que vem se esforçando para que a Rodada Doha de liberalização do comércio internacional seja finalmente finalizada.

Em fax enviado ao presidente eleito, Lula parabenizou Obama, afirmando que ele “soube transmitir visão de futuro, capacidade de liderança e a certeza de que a esperança é mais forte do que o medo”.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também enviou congratulações a Obama. “Estou certo de que o excelente diálogo já alcançado entre o Brasil e os Estados Unidos será aprimorado em bases mais intensas e profundas”, disse o ministro.

Em Genebra, Amorim disse não acreditar na tese de que a gestão Obama será mais protecionista e, portanto, pouco disposta a discutir Doha. Para ele, a crise é um “motor” para se acelerar as negociações.

No entanto, especialistas dizem que a maioria democrata no Congresso, aliada à crise econômica, tende a tornar o país mais fechado ao comércio internacional.

 
 
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