BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 13 de dezembro, 2008 - 04h47 GMT (02h47 Brasília)
 
Envie por e-mail   Versão para impressão
Reunião de clima da ONU acaba com revolta de 'pobres'
 

 
 
Ambientalistas protestam em Poznan, na Polônia (AFP)
Ambientalistas protestam durante reunião de Poznan, na Polônia
Uma revolta de última hora dos países em desenvolvimento, na madrugada deste sábado, marcou o encerramento da reunião sobre mudanças climáticas das Nações Unidas em Poznan, na Polônia, depois que a Colômbia acusou os países desenvolvidos de “crueldade” nas negociações.

“Estamos muito tristes e desapontados. É um mau sinal para Copenhague”, disse o ministro do Meio Ambiente colombiano, Juan Lozano.

O pomo da discórdia foi a tentativa frustrada de usar uma porcentagem do mercado de carbono para ampliar o financiamento do Fundo de Adaptação, um instrumento criado pelo Protocolo de Kyoto em 1997 para ajudar países pobres a combater as conseqüências do aquecimento global.

Ao fim da conferência de 12 dias, o secretário-executivo da convenção sobre o clima da ONU, Yvo de Boer, voltou a se referir à “reunião braçal” da Polônia como um sucesso, mas admitiu que a impossibilidade de chegar a um acordo criou “mágoas”.

“Isso mostra que, daqui para frente, é para valer. Os países mergulharam em negociações sérias”, disse de Boer.

Apesar da polêmica, o fundo foi desbloqueado e já nos próximos meses deve começar a liberar recursos – que atualmente somam cerca de US$ 80 milhões, mas podem chegar a US$ 300 milhões por ano até 2012.

No encontro do ano passado, em Bali, ficou acertado que, até 2009, quase 190 países fechariam um acordo global para a redução de emissões para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Meio do caminho

Em meio à crise econômica mundial e à transição americana, a conferência de Poznan marcou a metade do caminho entre o suado consenso de Bali e um aguardado novo acordo, marcado para Copenhague, Dinamarca, em 2009 – entre a fase de apresentação de idéias e de negociação final.

“Esperávamos que a estrada fosse pavimentada, mas os buracos continuam. Pelo menos agora já enxergamos o caminho”, afirmou à BBC Brasil Paulo Adario, diretor para a campanha da Floresta Amazônica do Greenpeace.

De um lado, países em desenvolvimento como Brasil, China, México e Peru, entre outros, apresentaram propostas claras para redução de emissões, que são consideradas pré-condições para que os países desenvolvidos adotem metas de redução mais audaciosas.

De outro, pouca coisa mudou do lado dos países desenvolvidos. A União Européia, depois de semanas de suspense, aprovou em Bruxelas a sua estratégia de energia e meio ambiente, e manteve as intenções anunciadas em 2007 de cortar emissões em 20% até 2020.

Já os Estados Unidos, mesmo antes da entrada em cena da equipe do presidente eleito Barack Obama, acenaram com a proposta de diminuir as suas emissões aos níveis de 1990 até 2020 – o que na prática significaria uma redução de cerca de 16% (que foi o crescimento nas emissões do país no período).

Decepção

O projeto dos EUA foi considerado pouco ambicioso por países como Brasil e China, mas não chegou a ofuscar a expectativa em torno do novo governo americano.

“Os países em desenvolvimento já tomaram os seus assentos à mesa. Agora, aguardam os Estados Unidos assumirem o seu lugar”, afirmou Duncan Marsh, da organização ambientalista Nature Conservancy.

Para os ambientalistas da organização Amigos da Terra Internacional, os países ricos decepcionaram e ameaçam a meta de chegar a um acordo em 2009.

“Em vez de tomar a liderança, eles (desenvolvidos) continuam a driblar as suas obrigações de transferências financeiras e tecnológicas para com os países em desenvolvimento”, afirmou a coordenadora para Clima da ONG, Stephanie Long.

Apesar da polêmica, o desbloqueio do Fundo de Adaptação está entre as questões consideradas avanços em Poznan.

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Carlos Minc, afirmou que o governo planeja aplicar a verba em Estados do Nordeste, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.

Entre os pontos mais criticados pelas organizações não-governamentais que acompanharam o encontro, está a exclusão de menções a direitos de populações indígenas e tradicionais no texto que orienta a redução de emissões decorrentes de desmatamento e degradação de florestas (Redd).

 
 
Ban Ki-moon (à esq.) e o presidente polonês Lech Kaczynski Clima
Brasil é exemplo de economia verde, diz Ban Ki-Moon.
 
 
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (foto de arquivo) Clima
Ricos devem cortar no mínimo 40% das emissões, diz Minc.
 
 
Incêndio na Amazônia Meio ambiente
Brasil fica em 8º lugar em índice de mudança climática.
 
 
Cidade do México (arquivo) Clima
Para Américas, crise ameaça luta contra aquecimento.
 
 
Entenda
BBC Brasil explica a reunião sobre clima da ONU na Polônia.
 
 
Mudança climática
Entenda reunião sobre aquecimento global.
Veja
 
 
Geleira Ambiente
Veja informações e explicações sobre mudanças climáticas.
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail   Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade