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Atualizado às: 26 de janeiro, 2009 - 10h22 GMT (08h22 Brasília)
 
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Companhias nacionais de petróleo sentem o peso da crise, diz 'FT'
 
Lula e Gabrielli, presidente da Petrobras, durante visita a refinaria, em 2008
Petrobras anunciou na semana passada plano de investimentos
As empresas estatais de petróleo, como a Petrobras, estão sentindo o peso da crise e têm se saído pior do que as companhias multinacionais mais tradicionais no atual ambiente de restrição internacional do crédito, segundo afirma artigo publicado nesta segunda-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.

O jornal observa que no ranking anual de petroleiras, que deve ser divulgado nesta segunda-feira pela consultoria americana PFC Energy, as gigantes internacionais ExxonMobil, Royal Dutch Shell, Chevron, BP e Total recuperaram o terreno que haviam perdido no ano passado para estatais como PetroChina, Petrobras, Gazprom e Sinopec.

“Que diferença faz uma crise de crédito. No final do ano passado, após os preços do petróleo terem caído dramaticamente, a ExxonMobil novamente se viu na liderança do ranking, conforme as companhias internacionais de petróleo começaram a ver oportunidades que não existiam há um ano”, afirma o jornal.

Segundo o artigo, o novo ranking vai mostrar uma queda acentuada de PetroChina, Petrobras, Gazprom e Sinopec, com as duas últimas fora da lista dos 10 primeiros lugares.

Atraso

O jornal observa que a mudança pode significar um atraso no desenvolvimento de alguns dos maiores projetos de petróleo e gás do mundo, por causa da dificuldade de garantir acesso a tecnologia e a financiamento.

O artigo comenta o anúncio, feito pela Petrobras na semana passada, de um plano recorde de investimentos que inclui a exploração dos campos de petróleo pré-sal recém-descobertos.

“Após meses de atrasos, a Petrobras apresentou na semana passada com seu plano estratégico que pinta uma visão otimista da habilidade da companhia de explorar suas riquezas. Mas alguns executivos de petróleo não têm tanta certeza e observam que muito vai depender do marco legal ainda em debate e que vai governar o desenvolvimento dos campos”, diz o FT.

Para piorar a situação das estatais, segundo o jornal, há a questão da retração no setor de serviços ligados ao petróleo.

Novas oportunidades

Segundo o jornal, a mudança na sorte das estatais traz com ela o potencial de novas oportunidades para as companhias internacionais de petróleo relativamente sólidas.

“Até recentemente, países ricos em petróleo reescreveram agressivamente seus contratos com as companhias internacionais de petróleo terminando com suas maiorias nas sociedades, tirando-as de posições de liderança, reduzindo suas parcelas de lucro e negando a elas novas oportunidades”, comenta o artigo.

“Os países se voltaram para as companhias nacionais de petróleo e de serviços, deixando as companhias internacionais lutando para expandir sua produção”, explica o texto.

Com a mudança de situação, segundo o jornal, os países produtores, incluindo até mesmo a ‘agressiva’ Venezuela, estão começando a consultar novamente as companhias internacionais sobre novos acordos de exploração.

“Ironicamente, o sucesso de grupos nacionais de energia como a Gazprom e a Petrobras depende em grande parte do quão rápido eles se dêem conta de que a maré se virou contra eles”, diz o jornal.

O artigo conclui afirmando que a questão de “se o mundo vai ter ou não petróleo e gás suficiente para abastecer sua recuperação econômica dependerá da disposição dessas companhias de abraçar a tecnologia e os especialistas estrangeiros”.

 
 
Sergio Gabrielli (Arquivo. Foto: Valter Campanato/ABr) 'Financial Times'
Petrobras vai mostrar habilidade em investir, diz Gabrielli.
 
 
O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, e o presidente Luis Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/ABr) 'Financial Times'
Com empresa para pré-sal, Brasil esnobará investidores.
 
 
Plataforma P-51 'The Economist'
Novas regras do pré-sal 'não podem prejudicar Petrobras'.
 
 
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