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Atualizado às: 30 de janeiro, 2009 - 09h46 GMT (07h46 Brasília)
 
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Dos Períneos
 

 
 
Ivan Lessa (ilustração de Baptistão)
O períneo. Ponderemos. Recuando no tempo, em minha juventude canalha nós o chamávamos de “mantiça”. Talvez “mantissa”. Não tínhamos um acordo ortográfico. Vivíamos da boca para fora.

Em vão, procuro o registro com uma ortografia ou outra no dicionário do Houaiss. O acordo, ou reforma ortográfica, passou por cima. Quando nos perguntavam, um pobre coitado qualquer excluído de nossos meios ou a eles recém-chegado, completávamos a definição com uma rima que não ouso repetir aqui. Por dedução, mais adiante os esclarecidos concluirão a pequena frase gaiata. Gaiatos éramos, gaiato achávamos tudo.

Avancemos no tempo. Li outro dia no jornal a respeito dos “segredos íntimos da saúde física” do presidente Nicolas Sarkozy. Diz a nota que tudo se resume ao períneo, o qual temos todos, homens e mulheres, ao contrário da “mantissa” ou “mantiça”, que o tempo e a vida dita honesta levaram.

O períneo, segundo as duas colunas do artiguete, endossado pelo Houaiss, é aquela região que constitui a base do púbis, onde estão situados os órgãos genitais e o ânus. O dicionário citando a etimologia da palavra afirma que também pode ser chamado de “períneos, ou perinaios “região entre o ânus e o escroto; pelo lat. perinaeon”, e que “perineu” é um sinônimo válido.

Pegaram, certo? Tentem adivinhar a pequena rima juvenil agora. Ainda segundo o jornal, adotando um tom maroto, mas não gaiato como um garoto brasileiro de rua dos anos 40, é um lugar onde o sol não bate. Acrescentando que, “segundo os peritos (para que peritos? Não é tão complicado assim) basta imaginar estar louco ou louca para fazer pipi e fazendo uma força danada para conter a micção”.

Por que este interesse todo pelo períneo? À primeira vista, pode parecer safadeza. De jeito nenhum. É que corre pela imprensa francesa que, segundo Julie Imperiali, a professora particular de ginástica (ou “personal trainer”, como se diz no Brasil) do presidente Sarkozy, este já perdeu 4 quilos e teve que mudar duas vezes o tamanho das calças desde que iniciou, com ela, ou por ela incentivado, para ser bem, bem preciso, certos exercícios pélvicos baseados em um certo número de repetidas contrações.

Isto foi há coisa de dez meses. Madame ou mademoiselle Imperiali garante que o regime na base do inovador exercício além do mais estimula a vida sexual presidencial. “Os problemas ligados à ejaculação precoce em geral estão ligados ao períneo”, garante Julie Imperiali. Em tempo: a primeira-dama, Carla Bruni, também consta de sua lista de clientes.

Na Grã-Bretanha, sempre segundo o tal do jornal (é o Guardian, claro), há um certo pudor em se referir a esses coisas. Em certos sítios da internet, consta apenas que o períneo concentra um bom número de nervos sendo, assim, considerado uma zona erógena. Sim, os britânicos ainda não perderam de todo sua justificada fama de excêntricos.

Nos Estados Unidos, apesar de Obama ter assumido o poder, prossegue a celeuma, que já dura décadas, a respeito das massagens e exercícios com o períneo e sua utilidade para as mulheres na hora do parto. Desconhece-se se essa senhora da Califórnia que, no início da semana, deu à luz oito bebês em cinco minutos, praticava ou não os exercícios e as massagens recomendadas pela “personal trainer” Imperiali. Também é uma incógnita se o presidente francês mandou flores.

Na França, há a devida atenção para com o períneo também nos partos. A maior parte das futures mamans recebem uma sistemática recomendação de seus médicos que prescrevem exercícios perineais. Entre 60 e 100% dos custos ficam por conta do governo de – de Nicolas Sarkozy, para vocês verem como a vida é cheia de voltas e reviravoltas.

No Brasil, os períneos, nos meios letrados, é confundido com a cadeia de montanhas que separa a França da Espanha. Nos iletrados, espero ardentemente que saibam o que é e como funciona a nossa velha e querida “mantissa” ou “mantiça”.

 
 
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