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Atualizado às: 03 de fevereiro, 2009 - 23h44 GMT (21h44 Brasília)
 
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Farc libertam ex-governador na Colômbia
 

 
 
Alan Jara (esq.) se encontra com o filho após ser libertado
Alan Jara (esq.) passou sete anos no cativeiro das Farc
Depois de mais de sete anos de cativeiro, o ex-governador do Departamento (Estado) colombiano de Meta, Alan Jara, foi libertado nesta terça-feira pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e entregue a uma missão humanitária com apoio brasileiro.

Alan Jara, de 51 anos, chegou ao aeroporto da cidade de Villavicencio (sul da Colômbia) às 14h10, hora local (17h10 em Brasília), e foi recebido pela mulher e o filho.

Em uma breve declaração, Jara agradeceu à senadora colombiana Piedad Córdoba, que tem ajudado a intermediar a libertação de reféns das Farc, e aos demais facilitadores, entre eles o governo brasileiro, pelo resgate.

Logo depois, em entrevista coletiva, o ex-governador fez duras críticas ao presidente colombiano Álvaro Uribe e o responsabilizou pela manutenção do conflito armado no país.

"A atitude do presidente Uribe não ajudou em nada para que se realize o intercâmbio humanitário e a libertação dos reféns", afirmou em entrevista coletiva.

"Parece que convém ao presidente a situação de guerra que se vive no país e parece que as Farc gostam que Uribe esteja no poder", acrescentou.

O ex-refém contou que teve de caminhar durante sete semanas desde o local do cativeiro até o ponto em que foi libertado, o que, de acordo com seus cálculos, teria totalizado um trajeto de 150 quilômetros.

Bem humorado, Jara disse que esta nova etapa de libertações de reféns indica "uma saída negociada" para o conflito armado colombiano.

"As Farc fizeram um gesto e esse gesto deve ser correspondido (...). A prioridade agora deve ser o acordo humanitário", afirmou.

"Farc não estão derrotadas"

Alan Jara relatou que a maioria dos rebeldes das Farc tem entre 18 e 20 anos. "Uma minoria chega a ter 30".

Em sua opinião, esse é um dos indicativos que mostram que a guerrilha se mantém ativa. "As Farc estão debilitadas, mas não estão derrotadas".

"Quando um jovem não tem como ganhar a vida, estudar, passa fome ou é humilhado, vai à guerrilha (...). Enquanto existirem essas causas, a guerrilha não vai acabar", afirmou.

Jara é o quinto dos seis reféns que as Farc prometeram libertar em dezembro, após meses de negociações com o movimento Colombianos pela Paz - organização criada com o objetivo de facilitar o resgate dos seqüestrados ainda em poder da guerrilha.

Trata-se de uma libertação unilateral e incondicional por parte da guerrilha, que, na opinião de analistas, pretende abrir novos espaços de diálogo em meio a um processo de enfraquecimento militar do grupo.

O Brasil participa da logística da missão humanitária, cedendo helicópteros, mecânicos e 18 militares.

Jara relatou que dois seqüestrados no cativeiro em que estava passam 24 horas por dia acorrentados, como um castigo por terem dormido com a corrente frouxa em uma oportunidade.

"É humilhante". Nas longas caminhadas pela selva, os reféns também permanecem acorrentados uns aos outros, segundo Jara.

Missão

Jara foi seqüestrado em 15 de julho de 2001, quando viajava em um carro das Nações Unidas no interior de Meta. Na ocasião, as Farc acusaram Jara de ter vínculos com paramilitares de direita.

Com a sua libertação, completa-se a segunda fase da missão de resgate prevista para ocorrer em três etapas.

A primeira ocorreu no domingo, com a libertação de três policiais e um soldado.

A última fase da missão será realizada na quinta-feira, quando deverá ser resgatado o ex-deputado Sigifredo López, seqüestrado em 2002.

Com a libertação de Jara, ainda restam em poder da guerrilha 23 reféns considerados passíveis de troca em um acordo humanitário com o governo.

A proposta original do acordo era que, em troca da libertação de reféns da guerrilha, o governo libertasse rebeldes que mantêm presos – mas as negociações estão paralisadas.

Entre outras exigências para efetivar o acordo, as Farc reivindicam a desmilitarização de três municípios, mas o governo do presidente Álvaro Uribe não aceita a demanda.

 
 
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